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  • Enfermagem em Estomaterapia: cuidados com estomias, feridas e incontinências

    Enfermagem em Estomaterapia: cuidados com estomias, feridas e incontinências

    A Enfermagem em Estomaterapia é uma especialidade dedicada ao cuidado de pessoas com estomias, feridas agudas ou crônicas e incontinências urinária e fecal. Sua atuação reúne avaliação clínica, prevenção de complicações, escolha de dispositivos, educação para o autocuidado e reabilitação.

    O atendimento não se limita à troca de uma bolsa coletora ou à realização de um curativo. Uma estomia pode modificar a imagem corporal, a alimentação, a sexualidade, o trabalho e a rotina familiar. Uma ferida pode estar relacionada à circulação, à pressão, ao diabetes, à mobilidade ou à nutrição. A incontinência pode provocar constrangimento, dermatites, isolamento e perda de autonomia.

    Por isso, o estomaterapeuta precisa observar a pessoa de maneira integral. O plano de cuidados deve considerar a condição clínica, o ambiente, as habilidades para o autocuidado, os recursos disponíveis e os objetivos individuais.

    No Brasil, a Estomaterapia é reconhecida como uma área de especialização da enfermagem voltada ao cuidado de pessoas com estomias, feridas e incontinências. Em 2024, o Conselho Federal de Enfermagem também reconheceu o título de especialista emitido pela Associação Brasileira de Estomaterapia para fins de registro profissional. (Cofen)

    Neste artigo, você entenderá como funciona a Enfermagem em Estomaterapia, quais são seus principais campos de atuação e que conhecimentos contribuem para uma assistência segura, individualizada e orientada à reabilitação.

    O que é Enfermagem em Estomaterapia?

    Enfermagem em Estomaterapia é a especialidade que prepara o enfermeiro para atuar na promoção da saúde, na prevenção de complicações, no tratamento e na reabilitação de pessoas com:

    • Estomias;
    • Feridas;
    • Fístulas;
    • Drenos;
    • Cateteres;
    • Incontinência urinária;
    • Incontinência fecal;
    • Alterações da pele relacionadas a essas condições.

    A especialidade integra três grandes áreas:

    1. Estomias;
    2. Feridas;
    3. Incontinências.

    Essas áreas possuem técnicas próprias, mas frequentemente se relacionam. Uma pessoa com incontinência pode desenvolver lesões de pele. Uma pessoa com estomia pode apresentar dermatite periestomal. Um paciente com mobilidade reduzida pode desenvolver uma lesão por pressão e, ao mesmo tempo, necessitar de cuidados urinários ou intestinais.

    A assistência precisa ser baseada em avaliação, Processo de Enfermagem, registros, protocolos e trabalho multiprofissional.

    O que faz um enfermeiro estomaterapeuta?

    O enfermeiro estomaterapeuta realiza atividades clínicas, educativas, gerenciais e de pesquisa.

    Entre suas possíveis atribuições estão:

    • Realizar consulta de enfermagem;
    • Avaliar estomias e a pele ao redor;
    • Acompanhar feridas;
    • Avaliar incontinências;
    • Elaborar planos de cuidados;
    • Prescrever cuidados de enfermagem;
    • Selecionar equipamentos coletores;
    • Indicar adjuvantes de proteção;
    • Orientar o autocuidado;
    • Treinar familiares e cuidadores;
    • Prevenir lesões;
    • Participar da reabilitação;
    • Elaborar protocolos;
    • Padronizar materiais;
    • Capacitar equipes;
    • Monitorar indicadores;
    • Desenvolver pesquisas.

    A atuação deve respeitar a formação do profissional, as normas do sistema Cofen/Conselhos Regionais, os protocolos institucionais e a legislação aplicável.

    O Processo de Enfermagem deve ser aplicado em todos os contextos em que ocorre o cuidado de enfermagem. Ele organiza a avaliação, o diagnóstico, o planejamento, a implementação e a evolução da assistência. (Cofen)

    Qual é a diferença entre estoma, estomia e ostomia?

    Estoma é a abertura criada cirurgicamente para estabelecer uma comunicação entre um órgão interno e o meio externo.

    Estomia é o procedimento ou a condição resultante dessa abertura.

    Ostomia também é uma forma utilizada no Brasil e aparece em documentos, serviços e movimentos sociais. Atualmente, muitos materiais técnicos adotam o termo estomia.

    A nomenclatura costuma ser definida pelo órgão ou segmento exteriorizado.

    Exemplos:

    • Colostomia: abertura de uma parte do cólon;
    • Ileostomia: abertura do íleo;
    • Urostomia: desvio para eliminação da urina;
    • Gastrostomia: acesso ao estômago;
    • Traqueostomia: abertura na traqueia.

    As estomias podem envolver os sistemas digestório, urinário ou respiratório e criar uma comunicação artificial com o meio externo. (BVSMS)

    Quais são os principais tipos de estomias?

    As estomias podem ser classificadas por finalidade, localização e duração.

    Estomias de eliminação intestinal

    Permitem a saída das fezes por uma abertura no abdome.

    As mais conhecidas são:

    • Colostomia;
    • Ileostomia.

    Estomias urinárias

    Permitem o desvio da urina quando a eliminação pela via habitual não é possível ou não é adequada.

    A urostomia pode ser construída com diferentes técnicas cirúrgicas.

    Estomias de alimentação

    São utilizadas para fornecer alimentação diretamente ao sistema digestório.

    Exemplos:

    • Gastrostomia;
    • Jejunostomia.

    Estomias respiratórias

    Criam uma abertura na via aérea.

    A traqueostomia é um exemplo.

    O plano de cuidados varia conforme o tipo de estomia. Uma colostomia possui características diferentes de uma ileostomia, uma gastrostomia ou uma traqueostomia.

    Qual é a diferença entre colostomia e ileostomia?

    A colostomia utiliza uma parte do intestino grosso para formar o estoma.

    A consistência das fezes varia conforme o segmento do cólon exteriorizado. Estomias localizadas em partes mais distais tendem a apresentar conteúdo mais formado, embora existam variações relacionadas à alimentação, ao trânsito intestinal e à condição clínica.

    A ileostomia utiliza a parte final do intestino delgado.

    Seu conteúdo costuma ser mais líquido ou pastoso e possuir enzimas capazes de irritar a pele. Por isso, vazamentos precisam ser controlados rapidamente.

    Pessoas com ileostomia também podem apresentar maior risco de perdas de líquidos e eletrólitos, principalmente quando ocorre aumento importante do volume eliminado.

    A escolha da técnica depende da doença, do procedimento cirúrgico e das condições individuais.

    Uma estomia pode ser temporária ou definitiva?

    Sim.

    A estomia temporária é construída com a intenção de ser fechada posteriormente, quando a condição clínica e cirúrgica permitir.

    Ela pode ser utilizada para:

    • Proteger uma anastomose;
    • Permitir a recuperação de uma parte do intestino;
    • Tratar uma obstrução;
    • Controlar uma complicação;
    • Desviar temporariamente o trânsito.

    A estomia definitiva é mantida quando não existe previsão de reconstrução do trânsito ou quando a reversão não é segura ou possível.

    A possibilidade de reversão depende de avaliação médica e cirúrgica. Nem toda estomia inicialmente considerada temporária será fechada, pois a evolução clínica pode modificar o planejamento.

    Por que o cuidado deve começar antes da cirurgia?

    A preparação pré-operatória ajuda a reduzir inseguranças e permite que a pessoa compreenda o que poderá acontecer após o procedimento.

    Nessa fase, o enfermeiro pode:

    • Investigar conhecimentos e dúvidas;
    • Apresentar os equipamentos;
    • Explicar cuidados básicos;
    • Avaliar as condições físicas;
    • Identificar a rede de apoio;
    • Conversar sobre imagem corporal;
    • Avaliar atividades profissionais;
    • Verificar limitações motoras ou visuais;
    • Preparar a família;
    • Participar da marcação do local do estoma, quando indicado e dentro da organização do serviço.

    A posição do estoma influencia a visualização, a aderência do equipamento e a capacidade de realizar o autocuidado.

    A avaliação pré-operatória pode considerar:

    • Dobras do abdome;
    • Cicatrizes;
    • Linha da cintura;
    • Mobilidade;
    • Posição sentada, em pé e deitada;
    • Preferências de roupas;
    • Capacidade de enxergar e alcançar a região;
    • Atividades cotidianas.

    As diretrizes do SUS estabelecem que o cuidado à pessoa com estomia deve envolver educação para o autocuidado, avaliação biopsicossocial, prevenção de complicações e seleção de equipamentos adequados. (BVSMS)

    Como deve ser um estoma saudável?

    As características dependem do tipo e do período pós-operatório, mas um estoma de eliminação intestinal ou urinária costuma apresentar:

    • Cor avermelhada ou rosada;
    • Aspecto úmido;
    • Boa perfusão;
    • Formato e tamanho compatíveis com a técnica;
    • Ausência de áreas escuras ou pálidas;
    • Pele ao redor preservada.

    O estoma possui muitos vasos sanguíneos e pode apresentar pequeno sangramento ao ser higienizado ou manipulado.

    Sangramento persistente, intenso ou espontâneo precisa de avaliação.

    Nas primeiras semanas após a cirurgia, é comum existir edema. O tamanho pode diminuir com a recuperação, exigindo novas medições e ajustes no recorte da placa.

    O que é pele periestomal?

    Pele periestomal é a pele localizada ao redor do estoma.

    Ela deve apresentar características semelhantes às demais áreas do abdome.

    Vermelhidão, dor, erosão, umidade ou coceira não devem ser consideradas consequências inevitáveis de viver com uma estomia.

    As alterações podem estar associadas a:

    • Vazamento;
    • Recorte inadequado;
    • Trocas traumáticas;
    • Alergia;
    • Foliculite;
    • Infecção;
    • Umidade;
    • Pressão do dispositivo;
    • Prolapso ou retração;
    • Uso incorreto de produtos.

    Proteger a pele é uma das principais finalidades do sistema coletor.

    Como escolher uma bolsa coletora?

    A escolha precisa ser individualizada.

    O sistema pode variar conforme:

    • Tipo de estomia;
    • Consistência do efluente;
    • Volume eliminado;
    • Formato do estoma;
    • Altura do estoma;
    • Contorno abdominal;
    • Presença de dobras;
    • Condição da pele;
    • Mobilidade;
    • Coordenação motora;
    • Preferência da pessoa;
    • Rotina;
    • Disponibilidade do produto.

    Existem sistemas de uma ou duas peças, bolsas drenáveis ou fechadas e placas com diferentes características.

    A bolsa não deve ser escolhida apenas pela marca ou pela preferência do serviço. O equipamento precisa adaptar-se ao corpo e às necessidades da pessoa.

    O SUS prevê que a prescrição e a concessão dos equipamentos sejam realizadas pelos serviços credenciados ou cadastrados, respeitando as necessidades específicas do paciente e garantindo acompanhamento especializado. (Serviços e Informações do Brasil)

    Como deve ser o recorte da placa?

    O recorte precisa acompanhar o tamanho e o formato do estoma.

    Uma abertura excessivamente grande expõe a pele ao efluente.

    Uma abertura muito apertada pode comprimir o estoma, provocar trauma e dificultar a circulação.

    O tamanho deve ser verificado principalmente no período pós-operatório, quando ocorre redução do edema.

    Para realizar o ajuste, podem ser utilizados:

    • Medidores;
    • Moldes;
    • Guias do fabricante;
    • Avaliação profissional.

    O recorte também precisa considerar irregularidades do estoma e do abdome.

    Como limpar a estomia?

    A higiene deve ser suave.

    Em muitos casos, pode ser realizada com água e material macio. O uso de sabonete deve seguir a orientação do serviço e considerar a compatibilidade com o adesivo.

    Produtos oleosos ou que deixem resíduos podem dificultar a aderência do sistema coletor.

    Durante a higiene, recomenda-se evitar:

    • Esfregar com força;
    • Usar álcool;
    • Aplicar substâncias irritantes;
    • Utilizar produtos sem indicação;
    • Raspar a pele de forma agressiva;
    • Colocar materiais dentro do estoma.

    Depois da limpeza, a pele deve ser seca delicadamente antes da colocação do novo equipamento.

    O modo de higiene pode variar conforme o tipo de estomia, a pele e o dispositivo utilizado. Serviços públicos de atenção à pessoa com estomia orientam a limpeza suave e a secagem por leves toques antes da colocação do novo equipamento. (SES-MG)

    Quando a bolsa deve ser esvaziada?

    A bolsa drenável deve ser esvaziada antes de ficar pesada ou excessivamente cheia.

    O peso aumenta o risco de:

    • Descolamento;
    • Vazamento;
    • Tração sobre a pele;
    • Desconforto;
    • Alteração da vedação.

    A frequência dependerá do volume eliminado, da alimentação, da hidratação e do tipo de estomia.

    A pessoa deve ser orientada a observar a própria rotina e a organizar o esvaziamento de forma preventiva.

    Com que frequência o equipamento deve ser trocado?

    Não existe um intervalo único para todos os pacientes.

    A troca depende de:

    • Tipo de sistema;
    • Condição da pele;
    • Consistência do efluente;
    • Transpiração;
    • Atividades;
    • Vedação;
    • Recomendações do fabricante;
    • Orientação profissional.

    Trocas muito frequentes podem causar trauma na pele.

    Manter um equipamento com vazamento também provoca lesões.

    A troca deve ocorrer quando houver perda da vedação, desconforto, infiltração ou dentro do período orientado.

    Quais são as complicações mais frequentes das estomias?

    As complicações podem ocorrer no período inicial ou após meses e anos.

    Entre elas estão:

    • Isquemia;
    • Necrose;
    • Sangramento;
    • Retração;
    • Prolapso;
    • Estenose;
    • Separação mucocutânea;
    • Hérnia paraestomal;
    • Granulomas;
    • Dermatite;
    • Infecção;
    • Vazamentos repetidos.

    A identificação precoce permite avaliar se a complicação pode ser manejada com ajustes no dispositivo ou se necessita de atendimento médico, cirúrgico ou multiprofissional.

    O que é retração do estoma?

    Retração ocorre quando o estoma fica abaixo ou próximo ao nível da pele.

    Essa condição pode favorecer vazamentos porque o efluente não é direcionado adequadamente para dentro da bolsa.

    O manejo pode incluir:

    • Reavaliação do sistema;
    • Uso de convexidade, quando indicada;
    • Anéis ou barreiras;
    • Cintos;
    • Avaliação do contorno abdominal;
    • Controle do peso;
    • Encaminhamento cirúrgico em determinadas situações.

    Dispositivos convexos não devem ser utilizados automaticamente. Eles exercem pressão sobre a região e precisam ser indicados após avaliação.

    O que é prolapso?

    Prolapso é o aumento do comprimento do estoma devido à exteriorização de uma parte maior do órgão.

    Pode provocar:

    • Dificuldade para adaptar a bolsa;
    • Trauma;
    • Sangramento;
    • Edema;
    • Alteração da cor;
    • Obstrução.

    Mudanças de cor, dor intensa ou interrupção da eliminação exigem avaliação rápida.

    Em casos estáveis, pode ser necessário adaptar o recorte e o tamanho da bolsa até a definição da conduta.

    O que é hérnia paraestomal?

    A hérnia paraestomal ocorre quando estruturas abdominais se projetam pela região ao redor do estoma.

    Pode aparecer como uma elevação ou mudança no contorno.

    A hérnia pode dificultar a aderência da placa e provocar:

    • Vazamentos;
    • Desconforto;
    • Alteração da imagem corporal;
    • Dificuldade com roupas;
    • Problemas na eliminação.

    O cuidado pode envolver:

    • Ajuste do equipamento;
    • Avaliação do abdome em diferentes posições;
    • Orientação sobre atividades;
    • Faixas ou suportes, quando indicados;
    • Acompanhamento cirúrgico.

    Dor intensa, vômitos, distensão ou interrupção da eliminação podem indicar complicação e exigem atendimento.

    O que causa dermatite periestomal?

    A dermatite pode ser causada pelo contato da pele com fezes ou urina, por trauma na retirada da placa ou por reação a algum produto.

    Os sinais incluem:

    • Vermelhidão;
    • Ardência;
    • Coceira;
    • Erosão;
    • Umidade;
    • Dor;
    • Sangramento superficial.

    O primeiro passo é investigar a causa.

    Aplicar apenas um produto sobre a lesão sem corrigir o vazamento tende a produzir resultado limitado.

    O plano pode incluir:

    • Ajuste do recorte;
    • Troca do sistema;
    • Proteção da pele;
    • Redução do trauma;
    • Tratamento de infecções;
    • Avaliação de alergia;
    • Reavaliação da convexidade.

    Como funciona a educação para o autocuidado?

    O autocuidado é desenvolvido gradualmente.

    A pessoa precisa aprender de acordo com sua condição física, emocional e cognitiva.

    O ensino pode ser dividido em pequenas etapas:

    1. Observar o estoma;
    2. Conhecer os materiais;
    3. Esvaziar a bolsa;
    4. Retirar o equipamento;
    5. Higienizar a região;
    6. Medir o estoma;
    7. Recortar a placa;
    8. Aplicar o dispositivo;
    9. Reconhecer sinais de alerta;
    10. Solicitar novos materiais.

    O profissional deve demonstrar, acompanhar a execução e verificar o que foi compreendido.

    Entregar orientações escritas sem prática supervisionada pode ser insuficiente.

    A educação deve começar no pré-operatório e continuar depois da alta. As políticas de atenção à pessoa com estomia também reforçam a necessidade de orientação para o autocuidado, prevenção de complicações e reabilitação. (BVSMS)

    Como preparar a pessoa com estomia para a alta?

    Antes da alta, é importante avaliar se o paciente ou cuidador consegue:

    • Identificar os materiais;
    • Esvaziar a bolsa;
    • Realizar a troca;
    • Observar a pele;
    • Reconhecer complicações;
    • Armazenar os dispositivos;
    • Saber onde buscar atendimento;
    • Solicitar os equipamentos;
    • Seguir as orientações alimentares;
    • Manter hidratação adequada.

    Também devem ser fornecidas informações sobre:

    • Serviço de referência;
    • Retorno;
    • Contatos;
    • Receitas;
    • Relatório ou sumário de alta;
    • Materiais para os primeiros dias;
    • Sinais que exigem atendimento.

    A continuidade do acompanhamento é necessária mesmo quando a pessoa já consegue realizar as trocas.

    Como a alimentação muda após uma estomia intestinal?

    Não existe uma lista universal de alimentos proibidos para todas as pessoas com estomia.

    As recomendações dependem de:

    • Tipo de cirurgia;
    • Segmento intestinal;
    • Tempo de pós-operatório;
    • Consistência das fezes;
    • Doenças associadas;
    • Tolerância;
    • Hidratação;
    • Orientação da equipe.

    No início, pode ser recomendado introduzir alimentos gradualmente e observar a resposta do organismo.

    Alguns alimentos podem aumentar gases, alterar o odor ou modificar a consistência das fezes, mas a resposta é individual.

    A pessoa pode registrar:

    • O que comeu;
    • Quantidade;
    • Sintomas;
    • Volume eliminado;
    • Presença de gases;
    • Desconforto.

    Restrições sem necessidade podem reduzir a variedade alimentar e prejudicar a nutrição.

    Por que a hidratação é importante na ileostomia?

    O intestino grosso participa da absorção de água e eletrólitos.

    Quando o trânsito é desviado antes dessa região, as perdas podem aumentar.

    Sinais que podem indicar desidratação incluem:

    • Sede intensa;
    • Boca seca;
    • Fraqueza;
    • Tontura;
    • Urina reduzida ou escura;
    • Cansaço;
    • Cãibras;
    • Aumento importante do volume eliminado.

    A quantidade adequada de líquidos deve ser definida conforme a condição clínica.

    Pessoas com doenças cardíacas ou renais podem possuir restrições e precisam de orientação individualizada.

    Aumento persistente do efluente, vômitos ou dificuldade para manter a hidratação exigem avaliação.

    A pessoa com estomia pode trabalhar e praticar atividades?

    Em muitos casos, sim.

    A retomada depende da recuperação cirúrgica, da atividade desempenhada e das orientações da equipe.

    Podem ser necessários ajustes relacionados a:

    • Esforço físico;
    • Levantamento de peso;
    • Acesso a banheiros;
    • Horário para troca ou esvaziamento;
    • Armazenamento de materiais;
    • Uniforme;
    • Hidratação;
    • Proteção do equipamento.

    A estomia não precisa significar afastamento permanente da vida social.

    A reabilitação deve ajudar a pessoa a retomar atividades de maneira segura.

    Como a estomia afeta a imagem corporal?

    A alteração no abdome e a necessidade de utilizar uma bolsa podem provocar:

    • Estranhamento;
    • Vergonha;
    • Medo de vazamento;
    • Preocupação com odores;
    • Redução da autoestima;
    • Isolamento;
    • Dificuldade de olhar ou tocar o estoma.

    Essas reações não devem ser minimizadas.

    A adaptação acontece de formas diferentes e pode exigir:

    • Escuta;
    • Educação;
    • Contato com grupos de apoio;
    • Acompanhamento psicológico;
    • Participação familiar;
    • Aprendizado progressivo;
    • Retomada das atividades.

    As políticas públicas reconhecem que a estomia pode produzir mudanças no autocuidado, na imagem corporal, na alimentação, na vida social e na sexualidade, reforçando a necessidade de assistência interdisciplinar e reabilitação. (BVSMS)

    A pessoa com estomia pode ter vida sexual?

    Sim.

    A estomia não elimina a possibilidade de manter relações afetivas e sexuais.

    Entretanto, cirurgia, tratamento, alterações corporais e medo de vazamentos podem interferir no desejo e na confiança.

    A equipe pode orientar sobre:

    • Esvaziar a bolsa antes da relação;
    • Verificar a vedação;
    • Utilizar capas ou faixas, se desejado;
    • Conversar com o parceiro;
    • Experimentar posições confortáveis;
    • Buscar avaliação para dor ou alterações funcionais;
    • Preservar a intimidade.

    A comunicação deve ser respeitosa e não pressupor orientação sexual, estado civil ou tipo de relacionamento.

    Como funciona o acesso a bolsas e materiais pelo SUS?

    O SUS disponibiliza equipamentos coletores e adjuvantes de proteção e segurança por meio dos serviços responsáveis pela atenção às pessoas com estomia.

    O acompanhamento especializado pode envolver:

    • Avaliação;
    • Prescrição;
    • Fornecimento de equipamentos;
    • Ajuste dos dispositivos;
    • Educação;
    • Tratamento de complicações;
    • Reabilitação.

    Para receber os materiais, a pessoa deve procurar o serviço de referência de sua região e apresentar a documentação solicitada.

    A Portaria SAS/MS nº 400/2009 estruturou os Serviços de Atenção à Saúde das Pessoas Ostomizadas e definiu ações na Atenção Básica e nos serviços especializados. Essas diretrizes foram posteriormente consolidadas nas normas do Ministério da Saúde. (BVSMS)

    O que são feridas?

    Feridas são interrupções da integridade da pele ou dos tecidos.

    Elas podem ser causadas por:

    • Cirurgia;
    • Trauma;
    • Pressão;
    • Problemas venosos;
    • Problemas arteriais;
    • Diabetes;
    • Queimaduras;
    • Infecções;
    • Doenças inflamatórias;
    • Câncer;
    • Umidade;
    • Fricção.

    A ferida não deve ser avaliada isoladamente.

    É necessário investigar:

    • Causa;
    • Doenças;
    • Circulação;
    • Nutrição;
    • Mobilidade;
    • Medicamentos;
    • Dor;
    • Condições sociais;
    • Capacidade de realizar o cuidado.

    A Resolução Cofen nº 787/2025 regulamenta a atuação da equipe de enfermagem na prevenção, no tratamento e na reabilitação de pessoas com lesões cutâneas. (Cofen)

    Qual é a diferença entre ferida aguda e crônica?

    A ferida aguda costuma seguir uma sequência esperada de cicatrização.

    Exemplos:

    • Incisão cirúrgica;
    • Corte;
    • Escoriação;
    • Trauma recente.

    A ferida crônica permanece aberta ou apresenta dificuldade de progressão por fatores locais ou sistêmicos.

    Exemplos:

    • Lesão por pressão;
    • Úlcera venosa;
    • Úlcera arterial;
    • Ferida relacionada ao diabetes.

    O tempo de evolução é importante, mas não deve ser o único critério. A causa, a resposta ao tratamento e as condições da pessoa precisam ser analisadas.

    Como uma ferida deve ser avaliada?

    A avaliação pode incluir:

    • Localização;
    • Causa provável;
    • Tempo;
    • Comprimento;
    • Largura;
    • Profundidade;
    • Tipo de tecido;
    • Exsudato;
    • Odor;
    • Bordas;
    • Pele ao redor;
    • Dor;
    • Sinais de infecção;
    • Túneis;
    • Descolamentos;
    • Estruturas expostas.

    As medidas precisam ser realizadas com técnica padronizada.

    Fotografias podem complementar o registro quando houver consentimento, proteção da identidade e armazenamento seguro.

    A avaliação também precisa investigar fatores que interferem na cicatrização.

    Quais fatores atrasam a cicatrização?

    Entre os fatores estão:

    • Pressão;
    • Infecção;
    • Má circulação;
    • Diabetes descompensado;
    • Desnutrição;
    • Tabagismo;
    • Edema;
    • Imobilidade;
    • Anemia;
    • Uso de alguns medicamentos;
    • Tecido desvitalizado;
    • Umidade inadequada;
    • Trauma repetido;
    • Falta de acesso aos cuidados.

    A cobertura não consegue corrigir sozinha esses fatores.

    Uma úlcera venosa, por exemplo, pode continuar aberta se o edema e a insuficiência venosa não forem abordados.

    Como escolher um curativo?

    A escolha depende do objetivo.

    O curativo pode ser utilizado para:

    • Proteger;
    • Absorver;
    • Manter umidade adequada;
    • Controlar sangramento;
    • Reduzir atrito;
    • Proteger as bordas;
    • Favorecer desbridamento;
    • Controlar a carga microbiana;
    • Diminuir a dor.

    O profissional deve considerar:

    • Tipo de tecido;
    • Quantidade de exsudato;
    • Profundidade;
    • Infecção;
    • Localização;
    • Frequência de troca;
    • Sensibilidade;
    • Custo;
    • Disponibilidade;
    • Capacidade do cuidador.

    A tecnologia mais recente nem sempre é a melhor opção. O produto precisa ser adequado à necessidade real.

    O que é desbridamento?

    Desbridamento é a remoção de tecido desvitalizado e de materiais que dificultam a avaliação ou a cicatrização.

    Os métodos podem incluir:

    • Autolítico;
    • Instrumental;
    • Mecânico;
    • Enzimático;
    • Biológico.

    A escolha depende de:

    • Circulação;
    • Dor;
    • Sangramento;
    • Profundidade;
    • Infecção;
    • Condição clínica;
    • Capacitação profissional.

    Nem toda necrose deve ser removida imediatamente. Lesões isquêmicas e escaras estáveis podem exigir condutas específicas.

    A regulamentação atual permite que o enfermeiro capacitado realize métodos de desbridamento dentro de suas competências e das condições de segurança previstas. (Cofen)

    O que são lesões por pressão?

    Lesões por pressão são danos localizados na pele ou nos tecidos provocados por pressão ou por sua combinação com cisalhamento.

    O risco aumenta em pessoas com:

    • Imobilidade;
    • Alterações de sensibilidade;
    • Incontinência;
    • Desnutrição;
    • Baixa perfusão;
    • Doenças graves;
    • Dispositivos médicos.

    A prevenção pode envolver:

    • Avaliação de risco;
    • Inspeção da pele;
    • Mudança de posição;
    • Superfícies de apoio;
    • Controle da umidade;
    • Nutrição;
    • Proteção contra atrito;
    • Cuidados com dispositivos.

    O reposicionamento precisa ser individualizado. A condição clínica, a tolerância, a superfície e os objetivos de cuidado devem ser considerados.

    O que é úlcera venosa?

    A úlcera venosa está relacionada à dificuldade do retorno do sangue pelas veias.

    Ela costuma aparecer na parte inferior da perna e pode estar associada a:

    • Edema;
    • Varizes;
    • Alteração da cor da pele;
    • Sensação de peso;
    • Exsudato;
    • Lesão de bordas irregulares.

    A terapia compressiva pode ser uma intervenção importante quando não há contraindicação.

    Antes de aplicá-la, é necessário avaliar a circulação arterial.

    O que é úlcera arterial?

    A úlcera arterial está relacionada à redução do fluxo de sangue para os tecidos.

    Pode apresentar:

    • Dor;
    • Extremidade fria;
    • Mudança de cor;
    • Pulsos reduzidos;
    • Lesões nos dedos ou em áreas distais;
    • Necrose;
    • Bordas bem definidas.

    A compressão pode ser perigosa quando existe comprometimento arterial importante.

    Essas lesões precisam de avaliação vascular e acompanhamento especializado.

    Como cuidar do pé da pessoa com diabetes?

    A pessoa com diabetes pode apresentar perda de sensibilidade, alterações circulatórias e maior risco de infecção.

    Os cuidados incluem:

    • Inspecionar os pés diariamente;
    • Lavar e secar;
    • Hidratar a pele;
    • Evitar aplicar creme entre os dedos;
    • Utilizar calçados adequados;
    • Não andar descalço;
    • Controlar a glicemia;
    • Procurar atendimento ao identificar lesões.

    Calos, bolhas, feridas, vermelhidão, calor ou mudança de cor precisam de avaliação.

    A ausência de dor não significa que a lesão seja leve.

    O que é incontinência urinária?

    Incontinência urinária é a perda involuntária de urina.

    Ela pode ocorrer em diferentes situações e apresentar causas distintas.

    Entre os tipos estão:

    • Incontinência de esforço;
    • Incontinência de urgência;
    • Incontinência mista;
    • Incontinência por transbordamento;
    • Incontinência funcional.

    A perda pode acontecer durante esforço, tosse, riso, necessidade súbita de urinar ou dificuldade para chegar ao banheiro.

    A incontinência pode afetar:

    • Sono;
    • Trabalho;
    • Atividade física;
    • Sexualidade;
    • Convívio social;
    • Autoestima;
    • Integridade da pele.

    Ela não deve ser considerada uma consequência inevitável da idade.

    Como avaliar a incontinência urinária?

    A avaliação pode investigar:

    • Quando começou;
    • Frequência;
    • Quantidade;
    • Situações de perda;
    • Urgência;
    • Dor;
    • Infecções;
    • Medicamentos;
    • Ingestão de líquidos;
    • Mobilidade;
    • Função intestinal;
    • Histórico cirúrgico;
    • Impacto na rotina.

    O diário miccional pode registrar:

    • Horários;
    • Líquidos ingeridos;
    • Micções;
    • Episódios de perda;
    • Urgência;
    • Atividades associadas.

    A avaliação também pode incluir exame físico, testes específicos e encaminhamento multiprofissional.

    Como funciona o tratamento conservador das incontinências?

    As intervenções dependem do tipo e da causa.

    Podem incluir:

    • Treino vesical;
    • Exercícios do assoalho pélvico;
    • Mudanças de hábitos;
    • Adequação da ingestão de líquidos;
    • Manejo da constipação;
    • Redução de fatores irritantes;
    • Programas de micção;
    • Biofeedback;
    • Eletroestimulação, quando indicada;
    • Dispositivos de suporte.

    O Cofen reconhece que o enfermeiro pode participar de intervenções conservadoras para incontinência urinária e fecal, como exercícios do assoalho pélvico, treino vesical, biofeedback e eletroestimulação, desde que possua capacitação e respeite o escopo profissional. (Cofen)

    Essas técnicas não devem ser aplicadas sem avaliação.

    Dor, sangramento, retenção urinária, infecções recorrentes ou alterações neurológicas podem exigir investigação especializada.

    O que é incontinência fecal?

    Incontinência fecal é a perda involuntária de fezes ou gases.

    Ela pode estar relacionada a:

    • Lesões do assoalho pélvico;
    • Cirurgias;
    • Alterações neurológicas;
    • Diarreia;
    • Constipação;
    • Impactação;
    • Doenças intestinais;
    • Redução da mobilidade;
    • Alterações cognitivas.

    A avaliação deve considerar:

    • Consistência das fezes;
    • Frequência;
    • Urgência;
    • Alimentação;
    • Medicamentos;
    • Controle esfincteriano;
    • Sensibilidade;
    • Rotina;
    • Integridade da pele.

    O cuidado pode envolver reeducação intestinal, manejo da consistência das fezes, cuidados com a pele, exercícios, dispositivos e encaminhamento.

    Como proteger a pele na incontinência?

    O contato prolongado com urina e fezes pode causar dermatite associada à incontinência.

    Os sinais incluem:

    • Vermelhidão;
    • Ardência;
    • Dor;
    • Erosão;
    • Umidade;
    • Irritação difusa.

    A prevenção pode envolver:

    • Higiene suave;
    • Secagem;
    • Troca dos absorventes;
    • Produtos de barreira;
    • Manejo da incontinência;
    • Avaliação frequente;
    • Redução da fricção.

    A dermatite pode ser confundida com lesão por pressão. Diferenciar as duas condições é importante porque as causas e as intervenções não são iguais.

    Qual é a importância da reabilitação na Estomaterapia?

    A reabilitação busca ampliar independência, participação e qualidade de vida.

    Ela pode incluir:

    • Aprendizado do autocuidado;
    • Adaptação do ambiente;
    • Retorno ao trabalho;
    • Retomada das atividades físicas;
    • Reconstrução da imagem corporal;
    • Apoio à sexualidade;
    • Manejo das eliminações;
    • Fortalecimento muscular;
    • Participação social.

    O resultado não deve ser medido apenas pela cicatrização ou pelo controle da perda.

    A pessoa pode precisar recuperar segurança para sair de casa, viajar, trabalhar ou manter relacionamentos.

    Como envolver a família e o cuidador?

    A família pode apoiar o cuidado, mas também pode apresentar medo, cansaço ou dificuldades.

    O profissional precisa avaliar:

    • Quem realiza os cuidados;
    • O que a família compreende;
    • Quais limitações existem;
    • Se há recursos;
    • Como é o ambiente;
    • Se o cuidador está sobrecarregado.

    A orientação deve ser prática.

    O cuidador pode aprender:

    • Troca de equipamentos;
    • Higiene;
    • Avaliação da pele;
    • Curativos;
    • Prevenção de pressão;
    • Manejo da incontinência;
    • Sinais de alerta;
    • Organização dos materiais.

    O objetivo não é substituir a autonomia da pessoa, mas oferecer apoio de acordo com sua necessidade.

    Como funciona a assistência domiciliar?

    No domicílio, o profissional precisa considerar as condições reais em que o cuidado será realizado.

    A avaliação pode incluir:

    • Iluminação;
    • Água;
    • Espaço;
    • Higiene;
    • Armazenamento;
    • Cama;
    • Mobilidade;
    • Rede de apoio;
    • Acesso ao serviço;
    • Capacidade de comprar ou receber materiais.

    O plano precisa ser possível de executar.

    Prescrever cuidados incompatíveis com a rotina ou os recursos disponíveis reduz a adesão.

    A atuação da enfermagem na atenção domiciliar deve seguir o Processo de Enfermagem e as normas profissionais específicas para esse contexto. (Cofen)

    Qual é a importância dos registros?

    Os registros garantem continuidade, segurança e rastreabilidade.

    Eles podem conter:

    • Avaliação;
    • Diagnósticos de enfermagem;
    • Características do estoma;
    • Condição da pele;
    • Medidas da ferida;
    • Dispositivo utilizado;
    • Produtos;
    • Lotes;
    • Intervenções;
    • Orientações;
    • Resposta;
    • Intercorrências;
    • Encaminhamentos.

    Expressões vagas devem ser evitadas.

    Em vez de registrar “ferida melhor”, é necessário descrever as mudanças observadas.

    O registro sistemático faz parte do Processo de Enfermagem e deve ser claro, objetivo e completo. (Cofen)

    A fotografia pode ser utilizada no acompanhamento?

    Sim, quando houver finalidade clínica, consentimento e proteção das informações.

    Para facilitar comparações, é importante:

    • Manter iluminação semelhante;
    • Usar distância padronizada;
    • Incluir escala, quando indicada;
    • Evitar filtros;
    • Registrar data;
    • Proteger a identidade;
    • Armazenar em sistema autorizado.

    A fotografia não substitui a avaliação presencial, as medidas ou a descrição.

    Imagens não devem ser armazenadas em dispositivos pessoais ou compartilhadas sem segurança e autorização.

    Como funciona a Telenfermagem na Estomaterapia?

    A Telenfermagem pode apoiar:

    • Monitoramento;
    • Orientações;
    • Avaliação complementar;
    • Educação;
    • Ajustes no plano;
    • Triagem;
    • Organização de retornos.

    Ela pode ser útil para pessoas com dificuldade de deslocamento ou que vivem longe dos serviços.

    Entretanto, algumas situações exigem avaliação presencial.

    A imagem não permite avaliar adequadamente:

    • Temperatura;
    • Consistência;
    • Odor;
    • Profundidade;
    • Perfusão;
    • Dor à palpação.

    A Telenfermagem é regulamentada pelo Cofen e deve respeitar consentimento, registro, segurança dos dados e infraestrutura adequada. (Cofen)

    Como a tecnologia está transformando a Estomaterapia?

    Novas tecnologias podem apoiar a avaliação, o monitoramento e o tratamento.

    Entre elas estão:

    • Curativos avançados;
    • Terapia por pressão negativa;
    • Sensores;
    • Sistemas de monitoramento;
    • Equipamentos coletores aprimorados;
    • Aplicativos;
    • Teleatendimento;
    • Fotografia padronizada;
    • Inteligência artificial;
    • Materiais de proteção cutânea.

    A tecnologia precisa ser utilizada com critérios.

    Antes de incorporar um recurso, o serviço deve avaliar:

    • Evidências;
    • Indicação;
    • Segurança;
    • Custo;
    • Treinamento;
    • Manutenção;
    • Compatibilidade;
    • Resultados esperados.

    Um equipamento tecnológico não substitui uma avaliação clínica completa.

    Como a inteligência artificial pode ser utilizada?

    A inteligência artificial pode apoiar atividades como:

    • Organização de dados;
    • Comparação de imagens;
    • Estimativa de áreas;
    • Identificação de mudanças;
    • Alertas de risco;
    • Previsão de complicações;
    • Monitoramento de indicadores.

    Esses sistemas podem apresentar erros relacionados à qualidade das imagens, aos dados utilizados e às diferenças entre populações.

    A decisão clínica continua sendo responsabilidade do profissional.

    Dados de saúde e fotografias exigem proteção, consentimento e uso compatível com a finalidade assistencial.

    O que significa prática baseada em evidências?

    Prática baseada em evidências combina:

    • Pesquisas científicas;
    • Experiência clínica;
    • Preferências da pessoa;
    • Contexto do serviço.

    Ela não significa seguir uma publicação de maneira automática.

    Uma intervenção pode apresentar bons resultados em um estudo e não ser adequada a determinado paciente por causa de:

    • Circulação;
    • Alergia;
    • Dor;
    • Custo;
    • Ambiente;
    • Capacidade de autocuidado;
    • Objetivos;
    • Disponibilidade.

    O profissional precisa analisar a qualidade da evidência e acompanhar a resposta.

    Qual é a importância da educação permanente?

    Produtos, tecnologias e normas podem mudar.

    A educação permanente ajuda a equipe a:

    • Atualizar técnicas;
    • Reduzir variações;
    • Prevenir erros;
    • Utilizar materiais corretamente;
    • Identificar complicações;
    • Melhorar registros;
    • Revisar protocolos;
    • Compartilhar experiências.

    Treinamentos precisam incluir teoria e prática.

    Apresentar um novo produto sem ensinar indicação, contraindicação e acompanhamento pode aumentar o uso inadequado.

    Como o estomaterapeuta pode atuar na gestão?

    Na gestão, o profissional pode:

    • Padronizar materiais;
    • Elaborar protocolos;
    • Avaliar consumo;
    • Monitorar perdas;
    • Analisar indicadores;
    • Capacitar equipes;
    • Organizar fluxos;
    • Participar de compras;
    • Avaliar novas tecnologias;
    • Realizar auditorias;
    • Coordenar serviços.

    A padronização não significa utilizar o mesmo produto para todos.

    O serviço precisa manter opções capazes de atender diferentes necessidades clínicas.

    Uma compra baseada apenas no menor preço pode resultar em vazamentos, lesões, trocas mais frequentes e aumento do custo total.

    Quais indicadores podem ser acompanhados?

    Os indicadores dependem da área.

    Em estomias, podem ser acompanhados:

    • Vazamentos;
    • Lesões periestomais;
    • Trocas não programadas;
    • Readmissões;
    • Autonomia no autocuidado;
    • Adequação dos dispositivos.

    Em feridas:

    • Incidência de lesões por pressão;
    • Evolução da área;
    • Tempo de cicatrização;
    • Infecções;
    • Dor;
    • Custos;
    • Recorrências.

    Em incontinências:

    • Frequência das perdas;
    • Uso de absorventes;
    • Condição da pele;
    • Adesão;
    • Impacto na qualidade de vida;
    • Resposta às intervenções.

    Os dados precisam ser interpretados. Uma redução no consumo de materiais pode representar eficiência ou falta de acesso.

    Quais competências são necessárias para atuar em Estomaterapia?

    Entre as competências técnicas estão:

    • Anatomia e fisiologia;
    • Avaliação de estomias;
    • Avaliação de feridas;
    • Manejo de incontinências;
    • Seleção de dispositivos;
    • Prevenção de lesões;
    • Processo de Enfermagem;
    • Reabilitação;
    • Educação em saúde;
    • Biossegurança;
    • Documentação.

    Entre as habilidades relacionais estão:

    • Comunicação;
    • Escuta;
    • Empatia;
    • Respeito;
    • Educação;
    • Trabalho em equipe;
    • Gestão de conflitos;
    • Tomada de decisão.

    O profissional também precisa reconhecer limites e encaminhar quando a situação exige avaliação de outra especialidade.

    Onde o enfermeiro estomaterapeuta pode atuar?

    As possibilidades incluem:

    • Hospitais;
    • Ambulatórios;
    • Centros de reabilitação;
    • Clínicas de feridas;
    • Unidades básicas;
    • Serviços domiciliares;
    • Instituições de longa permanência;
    • Consultórios;
    • Empresas de produtos para saúde;
    • Operadoras;
    • Gestão;
    • Ensino;
    • Pesquisa;
    • Consultoria.

    A formação especializada também pode contribuir para a criação de serviços, protocolos e projetos de educação continuada.

    A atuação autônoma precisa respeitar registros, licenças, estrutura, responsabilidade técnica e normas aplicáveis.

    Como começar a estudar Enfermagem em Estomaterapia?

    O aprendizado pode ser organizado em etapas.

    1. Estude anatomia e fisiologia

    Compreenda pele, intestino, sistema urinário, assoalho pélvico e cicatrização.

    2. Conheça as estomias

    Estude tipos, indicações, características, dispositivos e complicações.

    3. Aprenda a avaliar feridas

    Observe causa, profundidade, tecidos, exsudato, bordas e pele ao redor.

    4. Estude incontinências

    Conheça os tipos, as causas, os instrumentos de avaliação e as intervenções conservadoras.

    5. Desenvolva habilidades educativas

    Aprenda a demonstrar cuidados e verificar se a pessoa consegue realizá-los.

    6. Aprofunde-se em reabilitação

    Considere imagem corporal, sexualidade, trabalho, autonomia e participação.

    7. Estude tecnologias

    Analise indicações, contraindicações, custos e resultados.

    8. Conheça as políticas públicas

    Compreenda a rede de atenção, o fornecimento de equipamentos e os direitos das pessoas com estomia.

    9. Aprenda gestão

    Desenvolva protocolos, indicadores, padronização e educação permanente.

    10. Busque prática supervisionada

    A experiência clínica acompanhada é essencial para desenvolver segurança e raciocínio.

    Perguntas frequentes sobre Enfermagem em Estomaterapia

    O que é Enfermagem em Estomaterapia?

    É a especialidade da enfermagem dedicada ao cuidado de pessoas com estomias, feridas e incontinências.

    O que faz um estomaterapeuta?

    Avalia, planeja cuidados, seleciona dispositivos, orienta o autocuidado, previne complicações e participa da reabilitação.

    Estomia e ostomia significam a mesma coisa?

    Os dois termos são utilizados para se referir à abertura cirúrgica que comunica um órgão interno com o meio externo.

    Qual é a diferença entre colostomia e ileostomia?

    A colostomia utiliza uma parte do intestino grosso. A ileostomia utiliza a parte final do intestino delgado e geralmente apresenta conteúdo mais líquido.

    Toda estomia é definitiva?

    Não. Algumas são temporárias e podem ser fechadas posteriormente, dependendo da avaliação cirúrgica.

    O estoma sente dor?

    O tecido do estoma não possui a mesma sensibilidade da pele. Entretanto, a região ao redor, o abdome e possíveis complicações podem causar dor.

    É normal o estoma sangrar?

    Um pequeno sangramento durante a higiene pode ocorrer. Sangramento intenso, persistente ou espontâneo precisa de avaliação.

    A pele ao redor deve ficar vermelha?

    Não. Vermelhidão, dor, coceira ou erosão indicam que a pele precisa ser avaliada.

    Como evitar vazamentos?

    É necessário medir o estoma, ajustar o recorte, escolher o equipamento adequado e observar o contorno abdominal.

    A bolsa deve ser trocada todos os dias?

    Não necessariamente. A frequência depende do sistema, da pele, do efluente e da orientação profissional.

    A pessoa com estomia pode tomar banho?

    Sim. O banho pode ser realizado com ou sem a bolsa, conforme a preferência, o tipo de estomia e a orientação recebida.

    É possível dormir de barriga para baixo?

    Depende do conforto, da cirurgia, do tipo de equipamento e da orientação da equipe. A posição não deve provocar pressão ou vazamentos.

    A pessoa com estomia pode praticar exercícios?

    Em muitos casos, sim, após liberação e orientação. Atividades com esforço abdominal podem exigir cuidados adicionais.

    A pessoa com estomia pode viajar?

    Sim. É importante levar materiais extras, organizar a bagagem e manter parte dos dispositivos na bagagem de mão.

    O SUS fornece bolsas?

    Sim. O SUS disponibiliza equipamentos coletores e adjuvantes por meio dos serviços de referência. (Serviços e Informações do Brasil)

    Toda ferida precisa de antibiótico?

    Não. Antibióticos são utilizados quando existe indicação clínica e prescrição adequada.

    Feridas devem permanecer secas?

    Nem sempre. Muitas feridas se beneficiam de um ambiente com umidade controlada.

    O que é desbridamento?

    É a retirada de tecidos desvitalizados ou materiais que dificultam a cicatrização.

    O enfermeiro pode prescrever coberturas?

    O enfermeiro capacitado pode indicar e prescrever coberturas dentro das competências estabelecidas pela regulamentação. (Cofen)

    O que é incontinência urinária?

    É a perda involuntária de urina, que pode ocorrer por diferentes causas e em situações variadas.

    Incontinência é normal na velhice?

    Não deve ser considerada inevitável. Pessoas idosas podem apresentar maior risco, mas precisam de avaliação.

    Exercícios do assoalho pélvico ajudam?

    Podem ajudar em determinados tipos de incontinência, desde que sejam indicados e executados corretamente.

    O enfermeiro pode atuar com reabilitação do assoalho pélvico?

    Pode participar de intervenções conservadoras quando possui capacitação e respeita o escopo profissional e os protocolos. (Cofen)

    O que é dermatite associada à incontinência?

    É uma inflamação causada pelo contato prolongado da pele com urina ou fezes.

    A teleconsulta substitui o atendimento presencial?

    Não em todas as situações. Ela pode complementar o acompanhamento, mas complicações e avaliações mais detalhadas podem exigir atendimento presencial.

    Quais profissionais trabalham com o estomaterapeuta?

    Médicos, nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos, assistentes sociais, farmacêuticos e outros profissionais podem participar do cuidado.

    Estomaterapia une cuidado técnico, educação e reabilitação

    A Enfermagem em Estomaterapia atua em situações que interferem diretamente na autonomia, no conforto e na participação social.

    Uma estomia exige adaptação e aprendizado. Uma ferida precisa ter sua causa investigada. A incontinência deve ser avaliada para que a pessoa não dependa apenas de medidas de contenção.

    O estomaterapeuta contribui ao combinar avaliação clínica, escolha de tecnologias, educação para o autocuidado e articulação com a rede.

    A assistência precisa respeitar as condições e os objetivos individuais. A melhor bolsa não será a mesma para todas as pessoas. A melhor cobertura depende da ferida. A intervenção para incontinência deve considerar o tipo, a causa e as possibilidades de cada paciente.

    No SUS, a atenção à pessoa com estomia deve envolver acompanhamento especializado, fornecimento de equipamentos e ações de reabilitação. Na assistência às feridas, a Resolução Cofen nº 787/2025 reforça a responsabilidade da enfermagem na promoção, prevenção, tratamento e reabilitação das lesões cutâneas. (BVSMS)

    Para profissionais que desejam atuar na área, aprofundar conhecimentos sobre estomias, terapia de feridas, incontinências, tecnologias e educação em saúde pode ampliar a capacidade de oferecer cuidados mais seguros e resolutivos.

    A Faculdade Líbano oferece uma pós-graduação em Enfermagem em Estomaterapia voltada ao desenvolvimento de competências relacionadas ao cuidado de pessoas com estomias, feridas e incontinências.

    Conheça a formação e avalie como seus conteúdos podem contribuir para seus objetivos profissionais.