A Enfermagem em Cuidados Paliativos reúne conhecimentos, atitudes e intervenções voltados à prevenção e ao alívio do sofrimento de pessoas que enfrentam doenças graves. Seu objetivo não é apenas controlar sintomas físicos, mas compreender como a condição de saúde afeta a autonomia, as emoções, os relacionamentos, a espiritualidade e a rotina do paciente e de sua família.
Ao contrário de uma ideia ainda comum, os cuidados paliativos não são destinados somente aos últimos dias de vida. Eles podem ser iniciados precocemente e oferecidos ao mesmo tempo que tratamentos voltados ao controle da doença, sempre de acordo com as necessidades, os valores e os objetivos de cada pessoa. A Organização Mundial da Saúde define essa assistência como uma abordagem destinada a melhorar a qualidade de vida de pacientes e familiares por meio da identificação precoce, da avaliação adequada e do tratamento da dor e de outros problemas físicos, psicossociais ou espirituais. (Organização Mundial da Saúde)
Nesse contexto, a enfermagem possui uma posição central. Enfermeiros, técnicos e auxiliares acompanham o paciente de forma contínua, observam mudanças clínicas, identificam desconfortos, administram cuidados, orientam familiares e contribuem para a comunicação entre os diferentes profissionais.
A atuação exige competência técnica, capacidade de escuta, raciocínio clínico, sensibilidade e preparo para lidar com situações que nem sempre apresentam uma solução curativa. O cuidado permanece necessário mesmo quando a doença não pode ser revertida.
Neste artigo, você entenderá o que são cuidados paliativos, qual é o papel da enfermagem, como os principais sintomas podem ser avaliados e quais práticas favorecem uma assistência mais segura, humanizada e centrada na pessoa.
O que são cuidados paliativos?
Cuidados paliativos são uma abordagem de assistência destinada a prevenir e aliviar o sofrimento associado a uma doença grave.
Esse sofrimento pode se manifestar de diferentes maneiras:
- Dor;
- Falta de ar;
- Náuseas;
- Fraqueza;
- Ansiedade;
- Medo;
- Tristeza;
- Perda de autonomia;
- Dificuldades familiares;
- Insegurança financeira;
- Sofrimento espiritual;
- Incertezas sobre o futuro.
O cuidado paliativo procura compreender todas essas dimensões. Em vez de considerar apenas o diagnóstico, a equipe avalia como a doença interfere na vida da pessoa e quais necessidades precisam ser priorizadas.
O objetivo pode incluir:
- Controlar sintomas;
- Preservar a autonomia;
- Melhorar o conforto;
- Apoiar decisões;
- Reduzir procedimentos desproporcionais;
- Orientar familiares;
- Facilitar a permanência no local desejado;
- Apoiar o processo de luto;
- Manter a dignidade durante toda a trajetória de cuidado.
Os cuidados paliativos reconhecem a morte como parte natural da vida. Sua finalidade não é acelerar nem prolongar artificialmente o processo de morrer, mas oferecer assistência proporcional, tecnicamente adequada e coerente com os valores do paciente. Essa compreensão também está presente no Parecer Normativo nº 1/2026 do Conselho Federal de Enfermagem, que regulamenta a atuação da equipe de enfermagem nessa área. (Cofen)
Cuidados paliativos são apenas para pacientes terminais?
Não. Cuidados paliativos e cuidados de fim de vida não são exatamente a mesma coisa.
Os cuidados de fim de vida fazem parte da assistência paliativa, mas correspondem a uma fase específica, geralmente marcada pela proximidade da morte e pela necessidade de priorizar intensamente o conforto.
A abordagem paliativa pode começar antes disso.
Uma pessoa pode receber cuidados paliativos enquanto realiza:
- Quimioterapia;
- Radioterapia;
- Diálise;
- Tratamentos cardíacos;
- Terapias respiratórias;
- Reabilitação;
- Cirurgias;
- Tratamentos para controle de doenças neurológicas.
O início precoce permite que sintomas e necessidades sejam identificados antes de se tornarem mais intensos. Também cria oportunidades para conversar sobre preferências, organizar o cuidado e oferecer suporte à família.
A Política Nacional de Cuidados Paliativos estabelece essa assistência como parte da atenção integral às pessoas com condições de saúde que ameaçam a continuidade da vida, incluindo também familiares e cuidadores. A política foi instituída no Sistema Único de Saúde pela Portaria GM/MS nº 3.681, de 7 de maio de 2024. (Serviços e Informações do Brasil)
Quem pode se beneficiar dos cuidados paliativos?
Os cuidados paliativos podem beneficiar pessoas de diferentes idades e com diferentes diagnósticos.
Entre as condições que podem exigir essa abordagem estão:
- Câncer;
- Insuficiência cardíaca;
- Doença pulmonar crônica;
- Doenças renais;
- Doenças neurológicas progressivas;
- Demências;
- Doenças hepáticas avançadas;
- Infecções graves;
- Condições congênitas;
- Doenças raras;
- Síndromes que causam dependência e sofrimento;
- Fragilidade avançada.
A indicação não depende apenas do diagnóstico ou de uma estimativa de tempo de vida.
Também devem ser considerados:
- Intensidade dos sintomas;
- Declínio funcional;
- Internações frequentes;
- Dificuldade de controle da doença;
- Sofrimento emocional;
- Necessidade de apoio familiar;
- Complexidade das decisões;
- Sobrecarga dos cuidadores;
- Desejos e prioridades do paciente.
Uma pessoa pode precisar de cuidados paliativos mesmo quando a doença ainda está sendo tratada de forma ativa.
Qual é o papel da enfermagem em cuidados paliativos?
A equipe de enfermagem participa de praticamente todas as etapas do cuidado.
Sua atuação inclui:
- Avaliar o paciente;
- Identificar sintomas;
- Planejar intervenções;
- Administrar medicamentos;
- Monitorar respostas;
- Promover higiene e conforto;
- Prevenir lesões;
- Orientar familiares;
- Registrar informações;
- Reconhecer mudanças clínicas;
- Comunicar necessidades à equipe;
- Apoiar decisões compartilhadas;
- Participar da organização da alta;
- Acompanhar o processo de morte;
- Oferecer suporte aos familiares.
Como permanece próxima do paciente durante grande parte da assistência, a enfermagem frequentemente percebe alterações antes dos demais profissionais.
Mudanças discretas podem indicar:
- Aumento da dor;
- Piora respiratória;
- Confusão;
- Ansiedade;
- Redução da ingestão;
- Dificuldade para engolir;
- Constipação;
- Retenção urinária;
- Lesões de pele;
- Alteração do nível de consciência;
- Aproximação da fase final de vida.
A observação cuidadosa permite comunicar essas alterações e revisar o plano assistencial.
O Parecer Normativo nº 1/2026 do Cofen reforça a participação da equipe de enfermagem na promoção da qualidade de vida, na avaliação das necessidades e no alívio do sofrimento físico, psicossocial e espiritual, dentro das competências éticas e legais de cada categoria profissional. (Cofen)
Quais são os princípios da Enfermagem em Cuidados Paliativos?
A prática é orientada por princípios que ajudam a manter o cuidado centrado na pessoa.
Cuidado integral
O paciente não deve ser reduzido à doença.
É necessário observar:
- Corpo;
- Emoções;
- Relações;
- Valores;
- Cultura;
- Espiritualidade;
- Condições sociais;
- Preferências;
- Projeto de vida.
Um mesmo sintoma pode ter significados diferentes para pessoas distintas.
Alívio do sofrimento
O sofrimento precisa ser investigado de maneira ampla.
Uma dor pode ter componentes físicos, emocionais e sociais. A falta de ar pode provocar medo. A perda de independência pode gerar tristeza e sensação de inutilidade.
Controlar apenas um sinal clínico pode não ser suficiente.
Respeito à autonomia
Sempre que possível, o paciente deve participar das decisões.
Isso inclui compreender:
- O que está acontecendo;
- Quais são as opções;
- Quais benefícios são esperados;
- Quais riscos existem;
- Como cada alternativa pode afetar sua vida.
A comunicação precisa respeitar o nível de compreensão, o desejo de informação e a capacidade de decisão.
Proporcionalidade do cuidado
Uma intervenção deve apresentar benefícios compatíveis com seus riscos e desconfortos.
Procedimentos invasivos não devem ser mantidos automaticamente quando deixam de contribuir para os objetivos definidos.
Trabalho em equipe
As necessidades paliativas são complexas e raramente podem ser atendidas por apenas uma profissão.
O cuidado pode envolver:
- Enfermagem;
- Medicina;
- Psicologia;
- Serviço social;
- Fisioterapia;
- Nutrição;
- Fonoaudiologia;
- Farmácia;
- Terapia ocupacional;
- Assistência espiritual;
- Outros profissionais.
Apoio à família
A família também enfrenta medo, cansaço, conflitos e mudanças na rotina.
Ela precisa receber informação, orientação e suporte durante a doença e o luto.
O que significa qualidade de vida em cuidados paliativos?
Qualidade de vida é uma percepção individual.
Duas pessoas com condições clínicas semelhantes podem avaliar a própria vida de maneiras diferentes.
Para uma pessoa, qualidade de vida pode significar permanecer em casa. Para outra, pode representar manter a lucidez, conversar com a família, controlar a dor ou continuar realizando uma atividade importante.
Por isso, a equipe deve perguntar:
- O que é mais importante para você neste momento?
- O que mais causa sofrimento?
- O que você deseja preservar?
- Quais situações seriam inaceitáveis?
- Quem deve participar das decisões?
- Onde você gostaria de receber cuidados?
- O que traz conforto ou tranquilidade?
As respostas ajudam a transformar um plano genérico em um cuidado individualizado.
Como fazer uma avaliação de enfermagem em cuidados paliativos?
A avaliação deve ser contínua e multidimensional.
Não basta realizá-la apenas na admissão. As necessidades podem mudar rapidamente conforme a doença evolui.
Avaliação física
Pode incluir:
- Dor;
- Respiração;
- Náuseas e vômitos;
- Eliminações;
- Alimentação;
- Hidratação;
- Mobilidade;
- Pele;
- Sono;
- Fadiga;
- Nível de consciência;
- Sinais de infecção;
- Capacidade funcional.
Avaliação emocional
É importante observar:
- Ansiedade;
- Tristeza;
- Medo;
- Irritabilidade;
- Sensação de abandono;
- Desesperança;
- Preocupação com a família.
Avaliação social
A equipe deve compreender:
- Quem cuida do paciente;
- Como é a moradia;
- Se existem recursos;
- Quais são as dificuldades financeiras;
- Como está a rede de apoio;
- Se o cuidador está sobrecarregado;
- Quem participa das decisões.
Avaliação espiritual
Pode investigar:
- Crenças;
- Valores;
- Práticas religiosas;
- Fontes de esperança;
- Conflitos existenciais;
- Necessidade de rituais;
- Desejo de suporte espiritual.
Avaliação funcional
A capacidade de realizar atividades ajuda a compreender a evolução clínica.
É possível observar se o paciente consegue:
- Caminhar;
- Alimentar-se;
- Vestir-se;
- Realizar higiene;
- Usar o banheiro;
- Comunicar-se;
- Permanecer sentado;
- Mudar de posição.
A avaliação global orienta prioridades e deve ser registrada de forma clara no prontuário.
Qual é a importância do processo de enfermagem?
O processo de enfermagem organiza a assistência de maneira sistemática.
Ele permite:
- Coletar dados;
- Identificar necessidades;
- Elaborar diagnósticos de enfermagem;
- Definir resultados esperados;
- Planejar intervenções;
- Executar os cuidados;
- Avaliar as respostas;
- Revisar o plano.
Em cuidados paliativos, o planejamento precisa ser flexível.
Um resultado esperado nem sempre será a recuperação completa de uma função. Pode ser:
- Reduzir a dor;
- Diminuir a ansiedade;
- Facilitar o sono;
- Prevenir lesões;
- Melhorar a comunicação;
- Orientar o cuidador;
- Manter a boca hidratada;
- Preservar a dignidade;
- Proporcionar conforto.
O plano deve acompanhar os objetivos reais do paciente.
Como funciona a comunicação terapêutica?
A comunicação terapêutica utiliza a escuta e a fala como parte do cuidado.
Ela não consiste apenas em transmitir informações.
Também envolve:
- Reconhecer emoções;
- Permitir silêncio;
- Demonstrar presença;
- Confirmar se a pessoa compreendeu;
- Evitar julgamentos;
- Respeitar o tempo do paciente;
- Corrigir informações equivocadas com sensibilidade;
- Identificar dúvidas;
- Facilitar a expressão de medos.
Algumas práticas ajudam:
- Sentar-se próximo quando possível;
- Manter contato visual respeitoso;
- Utilizar frases simples;
- Falar em ritmo adequado;
- Evitar termos técnicos sem explicação;
- Fazer uma pergunta por vez;
- Permitir que o paciente termine de falar;
- Resumir o que foi compreendido.
A comunicação também acontece de forma não verbal.
Postura, expressão facial, tom de voz e pressa podem transmitir mensagens diferentes das palavras utilizadas.
Como comunicar notícias difíceis?
Notícias difíceis são informações que alteram negativamente a percepção da pessoa sobre o futuro.
Elas podem envolver:
- Progressão da doença;
- Recidiva;
- Falha de um tratamento;
- Perda de funcionalidade;
- Necessidade de maior dependência;
- Proximidade da morte;
- Mudança dos objetivos terapêuticos.
Essas conversas devem ser planejadas e realizadas de acordo com as responsabilidades da equipe.
A enfermagem pode contribuir antes, durante e depois da comunicação.
Antes da conversa, pode identificar:
- O que o paciente já sabe;
- Quanto deseja saber;
- Quem deve estar presente;
- Quais dúvidas existem;
- Como a pessoa costuma lidar com informações difíceis.
Durante a conversa, pode observar reações, oferecer apoio e ajudar a esclarecer termos.
Depois, pode retomar as informações e verificar o que foi compreendido.
É importante evitar frases que eliminem a esperança, como “não há mais nada a fazer”.
Mesmo quando não existe tratamento capaz de controlar a doença, ainda é possível:
- Controlar sintomas;
- Promover conforto;
- Apoiar decisões;
- Organizar o cuidado;
- Preservar vínculos;
- Acompanhar a família.
O que são decisões compartilhadas?
Decisão compartilhada é o processo em que paciente, família e profissionais discutem as opções disponíveis.
A equipe oferece informações técnicas. O paciente apresenta seus valores, suas prioridades e o que considera aceitável.
A decisão não deve ser baseada somente na existência de uma tecnologia.
Também é necessário perguntar:
- A intervenção poderá ajudar?
- Qual é a possibilidade real de benefício?
- Quais desconfortos poderá causar?
- O resultado está de acordo com os objetivos do paciente?
- Existe uma alternativa menos invasiva?
- O paciente compreendeu a situação?
- A família recebeu orientação?
Quando o paciente não possui capacidade para decidir, devem ser consideradas suas manifestações anteriores, as diretivas disponíveis e a participação do representante adequado.
Quais princípios bioéticos orientam os cuidados paliativos?
Quatro princípios aparecem com frequência na análise ética.
Autonomia
Refere-se ao direito de participar das decisões sobre o próprio cuidado.
Beneficência
Orienta a busca por intervenções que ofereçam benefícios.
Não maleficência
Indica a necessidade de evitar danos desnecessários ou desproporcionais.
Justiça
Relaciona-se ao acesso adequado aos recursos e à ausência de discriminação.
Na prática, esses princípios podem entrar em tensão.
Um tratamento pode prolongar a vida, mas provocar sofrimento intenso e apresentar baixa possibilidade de benefício. Uma família pode solicitar uma intervenção que o paciente havia recusado.
Essas situações exigem diálogo, registro e participação da equipe multiprofissional.
Como a enfermagem atua no controle da dor?
A dor é um dos sintomas mais conhecidos nos cuidados paliativos, mas não deve ser considerada inevitável.
A enfermagem participa da avaliação, da administração do tratamento prescrito e do acompanhamento da resposta.
A avaliação pode investigar:
- Localização;
- Intensidade;
- Tipo;
- Duração;
- Frequência;
- Fatores que pioram;
- Fatores que aliviam;
- Impacto no sono;
- Impacto na mobilidade;
- Impacto no humor;
- Tratamentos já utilizados.
Escalas numéricas, visuais ou comportamentais podem ser usadas conforme a capacidade de comunicação.
Em pacientes que não conseguem falar, a equipe pode observar:
- Expressão facial;
- Gemidos;
- Rigidez;
- Agitação;
- Proteção de determinada região;
- Alterações respiratórias;
- Mudanças de comportamento.
Além dos medicamentos prescritos, algumas medidas podem contribuir para o conforto:
- Posicionamento;
- Redução de estímulos;
- Apoio de travesseiros;
- Aplicação de medidas físicas autorizadas;
- Ambiente tranquilo;
- Técnicas de relaxamento;
- Escuta.
Depois de uma intervenção, a dor precisa ser reavaliada.
O registro deve mostrar o que foi realizado e qual foi a resposta.
Como manejar a falta de ar em cuidados paliativos?
A dispneia é a sensação de dificuldade para respirar.
Ela pode provocar medo intenso, tanto no paciente quanto na família.
A enfermagem deve avaliar:
- Início;
- Intensidade;
- Frequência;
- Posição de maior conforto;
- Uso da musculatura respiratória;
- Presença de secreções;
- Saturação, quando indicada;
- Ansiedade;
- Condições associadas.
Algumas medidas de conforto podem incluir:
- Elevar a cabeceira;
- Melhorar a ventilação do ambiente;
- Reduzir esforços;
- Organizar atividades;
- Orientar respiração tranquila;
- Evitar excesso de pessoas ao redor;
- Administrar terapias prescritas;
- Monitorar a resposta.
O oxigênio não deve ser utilizado automaticamente em todos os casos de dispneia. Sua indicação depende da avaliação clínica e da prescrição.
Quando a falta de ar surge de maneira súbita ou intensa, a equipe precisa avaliar rapidamente a causa e comunicar a alteração.
Como controlar náuseas e vômitos?
Náuseas e vômitos podem estar relacionados a:
- Medicamentos;
- Constipação;
- Alterações metabólicas;
- Obstruções;
- Ansiedade;
- Odores;
- Alimentação;
- Progressão da doença.
A avaliação deve identificar:
- Frequência;
- Horários;
- Relação com refeições;
- Volume;
- Aspecto;
- Sintomas associados;
- Impacto na hidratação;
- Tratamentos utilizados.
Medidas de enfermagem podem incluir:
- Evitar odores fortes;
- Oferecer higiene oral;
- Organizar refeições menores, quando toleradas;
- Manter ambiente ventilado;
- Posicionar o paciente com segurança;
- Administrar medicamentos prescritos;
- Registrar episódios;
- Observar sinais de desidratação.
A persistência dos sintomas precisa ser comunicada para revisão do plano.
Por que a constipação é frequente?
A constipação pode ocorrer por causa de:
- Redução da mobilidade;
- Baixa ingestão;
- Desidratação;
- Medicamentos;
- Fraqueza;
- Alterações neurológicas;
- Falta de privacidade;
- Mudanças na rotina.
A enfermagem deve perguntar sobre:
- Frequência habitual;
- Última evacuação;
- Consistência das fezes;
- Dor;
- Distensão;
- Esforço;
- Eliminação de gases;
- Uso de medicamentos.
A prevenção é importante, especialmente quando o tratamento utilizado aumenta o risco de constipação.
As intervenções precisam respeitar a condição clínica. Nem sempre aumentar líquidos ou fibras será adequado.
Como avaliar a alimentação e a hidratação?
A alimentação costuma ter um forte significado afetivo e cultural.
Quando o paciente passa a comer menos, a família pode interpretar a mudança como falta de cuidado.
Em doenças avançadas, porém, a redução do apetite pode fazer parte da evolução clínica.
Forçar a alimentação pode provocar:
- Náuseas;
- Vômitos;
- Aspiração;
- Desconforto;
- Ansiedade;
- Conflitos.
A enfermagem deve avaliar:
- Desejo de comer;
- Capacidade de mastigar;
- Capacidade de engolir;
- Tosse durante a alimentação;
- Preferências;
- Náuseas;
- Condição da boca;
- Nível de consciência;
- Risco de aspiração.
O objetivo deve ser definido de forma individualizada.
Em alguns casos, a alimentação busca suprir necessidades nutricionais. Em outros, o foco pode ser o prazer, a socialização ou pequenas ofertas toleradas.
A hidratação também precisa ser avaliada com proporcionalidade. A administração de líquidos pode ajudar em determinadas situações, mas também pode aumentar edemas, secreções ou desconfortos.
Qual é a importância da higiene oral?
A boca seca, feridas, secreções, infecções e resíduos podem causar dor e dificultar a comunicação e a alimentação.
A higiene oral pode incluir:
- Limpeza delicada;
- Hidratação dos lábios;
- Cuidados com próteses;
- Avaliação de lesões;
- Remoção de resíduos;
- Uso de produtos prescritos;
- Observação de sangramentos.
Mesmo quando o paciente não se alimenta, o cuidado com a boca continua necessário.
Em fases avançadas, pequenas medidas de hidratação oral podem proporcionar conforto significativo.
Como prevenir lesões de pele?
Pacientes com mobilidade reduzida apresentam maior risco de lesões por pressão.
A prevenção pode envolver:
- Avaliação diária da pele;
- Mudança de posição conforme tolerância;
- Uso de superfícies adequadas;
- Controle de umidade;
- Higiene;
- Hidratação da pele;
- Proteção de proeminências ósseas;
- Redução de atrito;
- Manejo da incontinência;
- Nutrição conforme o plano.
Em cuidados paliativos, a mudança de posição deve considerar o equilíbrio entre prevenção e conforto.
Movimentar uma pessoa em intervalos rígidos pode causar dor intensa. O plano deve ser individualizado.
Algumas lesões podem não cicatrizar por causa da condição clínica. Nesses casos, o objetivo pode ser controlar dor, odor, exsudato e sangramento.
Como cuidar de feridas complexas?
Feridas tumorais, lesões por pressão e outras alterações podem gerar:
- Dor;
- Odor;
- Sangramento;
- Exsudato;
- Infecção;
- Constrangimento;
- Isolamento social.
O cuidado precisa preservar a dignidade.
É importante:
- Explicar o procedimento;
- Garantir privacidade;
- Preparar materiais;
- Controlar a dor antes do curativo;
- Evitar manipulação excessiva;
- Escolher coberturas conforme avaliação;
- Observar sinais de complicação;
- Registrar a evolução.
O objetivo nem sempre será cicatrizar. Pode ser reduzir o sofrimento e facilitar a rotina.
O que é hipodermóclise?
Hipodermóclise é a administração de soluções ou medicamentos por via subcutânea.
Ela pode ser considerada quando a via oral não está disponível ou não é suficiente e quando o acesso intravenoso apresenta dificuldades.
Entre suas possíveis aplicações estão:
- Administração de medicamentos compatíveis;
- Hidratação em situações selecionadas;
- Controle de sintomas;
- Assistência domiciliar.
A escolha depende da avaliação clínica, da prescrição, dos protocolos institucionais e da compatibilidade das substâncias.
A enfermagem participa da seleção e da avaliação do local, da instalação, da observação da infusão e da identificação de reações.
É necessário monitorar:
- Dor;
- Vermelhidão;
- Edema;
- Endurecimento;
- Vazamento;
- Sangramento;
- Sinais de infecção;
- Funcionamento do acesso.
Materiais do INCA incluem a terapia subcutânea entre os conhecimentos relevantes para a assistência de enfermagem em cuidados paliativos oncológicos. (INCA)
Como garantir segurança na administração de medicamentos?
A segurança permanece essencial em todas as fases da doença.
A equipe deve observar:
- Paciente correto;
- Medicamento correto;
- Dose correta;
- Via correta;
- Horário correto;
- Registro correto;
- Indicação;
- Alergias;
- Compatibilidade;
- Resposta;
- Efeitos adversos.
Também é importante verificar se a via de administração continua adequada.
Um paciente com dificuldade para engolir pode precisar de revisão do esquema.
Quando muitos medicamentos são utilizados, a equipe multiprofissional pode avaliar quais ainda oferecem benefícios compatíveis com os objetivos de cuidado.
A enfermagem não deve suspender ou modificar tratamentos por iniciativa própria fora das atribuições e dos protocolos aplicáveis, mas deve comunicar dificuldades e alterações observadas.
O que é delirium?
Delirium é uma alteração aguda da atenção e da consciência.
O paciente pode apresentar:
- Confusão;
- Desorientação;
- Agitação;
- Sonolência;
- Alucinações;
- Inversão do sono;
- Mudanças rápidas de comportamento.
O quadro pode variar durante o dia.
A enfermagem deve observar possíveis fatores associados, como:
- Infecções;
- Dor;
- Retenção urinária;
- Constipação;
- Medicamentos;
- Alterações metabólicas;
- Privação de sono;
- Desidratação.
Algumas medidas ambientais podem ajudar:
- Reduzir ruídos;
- Manter iluminação adequada;
- Evitar muitas pessoas falando;
- Reorientar com calma;
- Preservar objetos familiares;
- Garantir segurança;
- Evitar contenções sem avaliação.
Mudanças agudas precisam ser comunicadas.
Como lidar com ansiedade e sofrimento emocional?
Ansiedade pode estar relacionada à dor, à falta de ar, ao medo da morte, à perda de independência ou à preocupação com a família.
A equipe precisa reconhecer que nem toda ansiedade será resolvida apenas com uma explicação.
Algumas atitudes ajudam:
- Escutar sem interromper;
- Perguntar o que mais preocupa;
- Não minimizar o medo;
- Oferecer informações claras;
- Evitar promessas;
- Favorecer a presença de pessoas importantes;
- Acionar psicologia ou outros profissionais;
- Administrar tratamentos prescritos;
- Reduzir estímulos.
Frases como “não pense nisso” podem fazer o paciente sentir que não possui espaço para falar.
É preferível demonstrar disponibilidade: “Percebo que isso está sendo muito difícil. Você gostaria de falar sobre o que mais preocupa?”
Qual é o papel da espiritualidade?
Espiritualidade está relacionada à busca de sentido, conexão, esperança e valores.
Ela pode ou não estar ligada a uma religião.
O paciente pode desejar:
- Conversar sobre crenças;
- Receber uma visita religiosa;
- Realizar uma oração;
- Manter objetos significativos;
- Participar de um ritual;
- Resolver conflitos;
- Despedir-se;
- Permanecer em silêncio.
A enfermagem deve respeitar a escolha da pessoa.
Não é adequado impor crenças ou práticas pessoais.
Quando necessário, pode ser solicitado apoio de representantes religiosos, capelania ou profissionais preparados, de acordo com o desejo do paciente.
Como apoiar a família e os cuidadores?
Cuidadores podem enfrentar:
- Cansaço;
- Privação de sono;
- Medo;
- Culpa;
- Dificuldades financeiras;
- Insegurança;
- Conflitos familiares;
- Falta de conhecimento;
- Isolamento.
A equipe precisa avaliar se eles conseguem realizar os cuidados orientados.
As instruções devem ser práticas e demonstradas sempre que necessário.
Podem incluir:
- Administração de medicamentos conforme prescrição;
- Mudança de posição;
- Higiene;
- Cuidados com a boca;
- Manejo de dispositivos;
- Sinais de alerta;
- Telefones de contato;
- Organização dos horários;
- Prevenção de quedas.
Não basta entregar uma lista.
É importante pedir que o cuidador explique ou demonstre o que compreendeu.
Como planejar os cuidados paliativos no domicílio?
O cuidado domiciliar pode favorecer conforto e proximidade da família, mas exige organização.
Antes da alta, é necessário avaliar:
- Desejo do paciente;
- Condições da residência;
- Disponibilidade do cuidador;
- Equipamentos;
- Medicamentos;
- Acesso à equipe;
- Transporte;
- Segurança;
- Capacidade de alimentação;
- Risco de quedas;
- Plano para urgências.
A família precisa saber quem procurar e o que fazer quando houver piora.
A Resolução Cofen nº 766/2024 estabelece normas e diretrizes para a atuação da equipe de enfermagem na atenção domiciliar, contexto que pode incluir pessoas em cuidados paliativos. (Cofen)
Quais sinais podem aparecer nos últimos dias de vida?
A evolução varia, mas alguns sinais podem ocorrer:
- Maior sonolência;
- Redução da comunicação;
- Menor ingestão;
- Dificuldade para engolir;
- Fraqueza intensa;
- Alteração da respiração;
- Extremidades frias;
- Redução da urina;
- Mudanças na circulação;
- Confusão;
- Presença de secreções.
Esses sinais não devem ser interpretados isoladamente pela família.
A equipe precisa avaliar o conjunto da condição clínica.
Quando a morte se aproxima, o plano costuma priorizar:
- Controle de dor;
- Alívio da falta de ar;
- Higiene oral;
- Posicionamento;
- Redução de procedimentos desconfortáveis;
- Presença familiar;
- Ambiente tranquilo;
- Comunicação;
- Apoio espiritual, quando desejado.
Explicar as mudanças pode reduzir a angústia dos familiares.
Como a enfermagem atua no processo ativo de morte?
Durante o processo ativo de morte, a equipe procura preservar o conforto e a dignidade.
A assistência pode incluir:
- Avaliar sintomas;
- Administrar medicamentos prescritos;
- Reduzir ruídos;
- Evitar procedimentos sem benefício;
- Posicionar de forma confortável;
- Manter a boca hidratada;
- Controlar secreções conforme o plano;
- Apoiar a família;
- Garantir privacidade;
- Respeitar rituais;
- Registrar os cuidados.
A presença da enfermagem também ajuda a família a compreender que determinadas mudanças fazem parte do processo.
O Manual de Cuidados Paliativos do Ministério da Saúde aborda a atenção hospitalar, ambulatorial e domiciliar, incluindo a assistência durante fases avançadas e o suporte às famílias. (Biblioteca COFEN)
O que deve ser feito após o óbito?
Após a confirmação do óbito pelo profissional responsável, a enfermagem segue os protocolos institucionais.
Os cuidados podem envolver:
- Acolher a família;
- Garantir privacidade;
- Permitir despedidas, quando possível;
- Respeitar práticas culturais e religiosas;
- Identificar corretamente o corpo;
- Retirar dispositivos conforme orientação;
- Organizar pertences;
- Realizar registros;
- Comunicar setores responsáveis.
O cuidado não termina no momento da morte.
A forma como a família é recebida pode permanecer em sua memória durante o luto.
O que é luto antecipatório?
Luto antecipatório é o processo de sofrimento que pode começar antes da morte.
Ele pode surgir quando pacientes e familiares percebem perdas progressivas, como:
- Redução da autonomia;
- Mudança de papéis;
- Interrupção de planos;
- Dependência;
- Alteração da aparência;
- Possibilidade de separação.
A equipe pode apoiar esse processo ao:
- Permitir conversas;
- Validar emoções;
- Facilitar despedidas;
- Estimular a participação possível;
- Acionar psicologia ou serviço social;
- Respeitar diferentes formas de expressão.
Nem todas as pessoas demonstram sofrimento da mesma forma.
Como apoiar o processo de luto?
O luto é uma resposta à perda e não segue uma sequência igual para todos.
Podem ocorrer:
- Tristeza;
- Raiva;
- Culpa;
- Alívio;
- Confusão;
- Dificuldade de concentração;
- Alterações de sono;
- Necessidade de isolamento;
- Busca por apoio.
A enfermagem pode oferecer acolhimento e informações sobre os recursos disponíveis.
Quando houver sofrimento intenso, prolongado ou incapacitante, pode ser necessário encaminhamento especializado.
O objetivo não é apressar o luto, mas reconhecer necessidades e facilitar o acesso ao suporte.
Como funciona o trabalho multiprofissional?
Cada profissão contribui com uma perspectiva diferente.
A equipe precisa compartilhar:
- Objetivos;
- Sintomas;
- Preferências;
- Mudanças;
- Riscos;
- Necessidades familiares;
- Plano de alta;
- Decisões.
Reuniões e registros evitam orientações contraditórias.
A enfermagem pode atuar como elo entre paciente, família e equipe, especialmente porque acompanha de perto as respostas ao cuidado.
O trabalho integrado reduz fragmentações e ajuda a manter decisões coerentes.
Qual é a importância dos registros de enfermagem?
Os registros garantem continuidade, comunicação e segurança.
Devem apresentar informações objetivas, como:
- Sintomas;
- Avaliações;
- Intervenções;
- Medicamentos;
- Respostas;
- Orientações;
- Decisões comunicadas;
- Participação familiar;
- Alterações clínicas;
- Contatos realizados.
Expressões vagas devem ser evitadas.
Em vez de registrar “paciente bem”, é preferível descrever o nível de consciência, a dor, a respiração e a interação.
A documentação também possui importância ética e legal.
Como a teleconsulta pode apoiar os cuidados paliativos?
Tecnologias de comunicação podem ampliar o contato com pacientes que possuem dificuldade de mobilidade ou vivem longe dos serviços.
O acompanhamento remoto pode contribuir para:
- Revisar sintomas;
- Orientar cuidadores;
- Acompanhar o uso de medicamentos;
- Avaliar necessidades;
- Organizar atendimentos presenciais;
- Oferecer suporte à família.
Entretanto, a tecnologia não substitui todas as avaliações presenciais.
A equipe deve reconhecer limitações e orientar atendimento direto quando houver necessidade.
Questões de privacidade, consentimento e segurança das informações também precisam ser observadas.
Como a enfermagem pode cuidar da própria saúde emocional?
Conviver com sofrimento, morte e conflitos pode gerar desgaste.
Alguns profissionais apresentam:
- Cansaço;
- Irritabilidade;
- Distanciamento emocional;
- Dificuldade para dormir;
- Sensação de impotência;
- Culpa;
- Perda de sentido no trabalho.
O autocuidado não deve ser tratado apenas como responsabilidade individual.
As instituições também precisam oferecer condições adequadas, como:
- Dimensionamento de equipe;
- Espaços de discussão;
- Educação continuada;
- Apoio psicológico;
- Supervisão;
- Debriefing;
- Descanso;
- Gestão respeitosa.
Profissionais podem buscar apoio ao perceber que o impacto emocional está afetando a vida pessoal ou o cuidado prestado.
Quais competências são importantes para o enfermeiro paliativista?
Entre as competências estão:
- Avaliação multidimensional;
- Raciocínio clínico;
- Manejo de sintomas;
- Comunicação terapêutica;
- Trabalho em equipe;
- Educação de cuidadores;
- Gestão do cuidado;
- Conhecimento ético;
- Segurança do paciente;
- Registro;
- Administração de medicamentos;
- Cuidados no fim da vida;
- Apoio ao luto;
- Sensibilidade cultural;
- Respeito à espiritualidade.
A competência não depende apenas de dominar procedimentos.
Também envolve reconhecer limites, pedir apoio e lidar com incertezas.
Quais são os principais desafios dos cuidados paliativos?
Entre os desafios estão:
- Início tardio da assistência;
- Confusão entre paliativo e abandono;
- Dificuldade de comunicação;
- Desigualdade de acesso;
- Falta de equipes preparadas;
- Sobrecarga dos familiares;
- Fragmentação dos serviços;
- Dificuldades na transição para o domicílio;
- Barreiras no controle de sintomas;
- Falta de planejamento antecipado;
- Desgaste profissional.
A Política Nacional de Cuidados Paliativos busca organizar essa assistência na Rede de Atenção à Saúde e ampliar o acesso a um cuidado integral e humanizado no SUS. (Serviços e Informações do Brasil)
Como começar a se preparar para atuar na área?
O desenvolvimento pode ser organizado em etapas.
1. Compreenda os princípios
Estude qualidade de vida, autonomia, proporcionalidade, dignidade e cuidado integral.
2. Aprenda a avaliar sintomas
Aprofunde conhecimentos sobre dor, falta de ar, náuseas, constipação, delirium, fadiga e ansiedade.
3. Desenvolva comunicação
Pratique escuta ativa, validação emocional e linguagem clara.
4. Estude ética
Conheça os princípios bioéticos, os limites de atuação e as responsabilidades profissionais.
5. Aprenda procedimentos
Aprofunde-se em administração de medicamentos, terapia subcutânea, cuidados com feridas, dispositivos e segurança.
6. Conheça a assistência domiciliar
Estude orientação de cuidadores, organização da alta e prevenção de riscos.
7. Compreenda o processo de morte
Conheça as mudanças clínicas e as medidas de conforto.
8. Estude o luto
Aprenda a reconhecer necessidades do paciente, da família e da equipe.
9. Participe do trabalho multiprofissional
Desenvolva comunicação, registro e tomada de decisão compartilhada.
10. Busque atualização
Normas, políticas e práticas assistenciais podem mudar. A formação continuada ajuda a manter a atuação segura.
Perguntas frequentes sobre Enfermagem em Cuidados Paliativos
O que é Enfermagem em Cuidados Paliativos?
É a atuação da equipe de enfermagem voltada ao alívio do sofrimento e à promoção de conforto, qualidade de vida e dignidade para pacientes com doenças graves e seus familiares.
Cuidados paliativos significam desistir do paciente?
Não. A assistência continua ativa. O foco pode incluir controle de sintomas, comunicação, apoio emocional, segurança, autonomia e organização dos cuidados.
Cuidados paliativos são apenas para câncer?
Não. Pessoas com doenças cardíacas, pulmonares, neurológicas, renais e outras condições graves também podem se beneficiar.
Quando os cuidados paliativos devem começar?
Eles podem começar precocemente, de acordo com as necessidades do paciente, e acontecer ao mesmo tempo que tratamentos voltados ao controle da doença.
Qual é a principal função da enfermagem?
Avaliar necessidades, administrar cuidados, controlar sintomas, orientar familiares, monitorar respostas e contribuir para a comunicação da equipe.
O que é cuidado centrado no paciente?
É o cuidado organizado de acordo com os valores, as prioridades, as necessidades e os objetivos da pessoa.
Como avaliar a dor de um paciente que não fala?
A equipe pode utilizar escalas comportamentais e observar expressões faciais, gemidos, rigidez, agitação, proteção de partes do corpo e mudanças de comportamento.
O que é hipodermóclise?
É a administração de soluções ou medicamentos por via subcutânea em situações avaliadas pela equipe e conforme prescrição e protocolos.
Cuidados paliativos podem ser realizados em casa?
Sim. O cuidado domiciliar pode ser oferecido quando existem condições clínicas, familiares, estruturais e assistenciais adequadas.
O paciente precisa saber tudo sobre a doença?
O paciente tem direito à informação, mas a comunicação deve respeitar sua capacidade, seu ritmo e o quanto deseja saber.
A família pode decidir no lugar do paciente?
Quando o paciente possui capacidade de decisão, sua autonomia deve ser respeitada. Quando não possui, a participação familiar deve considerar seus valores e manifestações anteriores.
Alimentar menos significa abandono?
Não necessariamente. Em fases avançadas, o organismo pode reduzir a necessidade e a tolerância à alimentação. A conduta deve ser individualizada.
Oxigênio sempre melhora a falta de ar?
Não. A indicação depende da avaliação clínica. Outras medidas também podem contribuir para o conforto.
O que é luto antecipatório?
É o sofrimento relacionado às perdas e à possibilidade de morte antes que o óbito aconteça.
Como ajudar uma família durante o luto?
A equipe pode acolher, escutar, oferecer informações, respeitar o tempo de cada pessoa e indicar suporte especializado quando necessário.
O enfermeiro pode atuar de forma autônoma em cuidados paliativos?
O enfermeiro possui atribuições próprias, mas deve atuar dentro das normas profissionais, dos protocolos e da integração com a equipe multiprofissional.
Cuidados paliativos podem ser oferecidos a crianças?
Sim. Crianças e seus familiares também podem receber cuidados paliativos, com práticas adaptadas à idade, ao desenvolvimento e às necessidades da família. (Organização Mundial da Saúde)
Cuidar continua sendo essencial em todas as fases da vida
A Enfermagem em Cuidados Paliativos demonstra que a assistência não termina quando a cura deixa de ser possível.
O paciente continua precisando de alívio, segurança, presença, informação e respeito.
O cuidado pode estar em uma avaliação bem-feita, no controle da dor, na higiene oral, no posicionamento, em uma conversa honesta ou na orientação que permite à família cuidar com menos medo.
A atuação exige conhecimento técnico, mas também disponibilidade para reconhecer a pessoa além da doença.
Com a expansão da Política Nacional de Cuidados Paliativos e a regulamentação mais recente da atuação da enfermagem, a qualificação profissional torna-se ainda mais importante para ampliar o acesso a uma assistência segura e humanizada. (BVSMS)
Para profissionais que desejam atuar nessa área, aprofundar conhecimentos em manejo de sintomas, comunicação, ética, assistência domiciliar, processo de morte e apoio ao luto pode contribuir para decisões mais conscientes e cuidados mais adequados.
A Faculdade Líbano oferece uma pós-graduação em Enfermagem em Cuidados Paliativos voltada ao desenvolvimento de competências relacionadas à assistência integral, à humanização, à segurança e ao suporte oferecido aos pacientes e familiares.
Conheça a formação e avalie como seus conteúdos podem contribuir para seus objetivos profissionais.
