A Didática do Ensino Superior reúne conhecimentos e práticas utilizados para organizar o processo de ensino-aprendizagem em contextos universitários de maneira intencional, contextualizada e coerente com os objetivos da formação.
Ensinar no nível superior não significa apenas dominar profundamente determinado conteúdo.
Também exige compreender:
- Quem são os estudantes;
- Quais conhecimentos prévios possuem;
- O que precisam desenvolver;
- Como organizar os conteúdos;
- Que estratégias favorecem a aprendizagem;
- Como relacionar teoria e prática;
- Como tornar o processo mais inclusivo.
O material-base destaca justamente que a docência universitária exige, além do domínio técnico, sensibilidade para orientar estudantes adultos e capacidade de articular ensino, pesquisa e extensão.
Um professor pode conhecer profundamente sua área e ainda encontrar dificuldades para transformar esse conhecimento em uma experiência de aprendizagem compreensível.
Imagine uma disciplina com grande volume de conteúdo.
O docente pode tentar apresentar tudo em aulas expositivas.
Porém, talvez os estudantes precisem principalmente aprender a:
- Analisar;
- Comparar;
- Resolver problemas;
- Aplicar conceitos.
Nesse caso, a organização didática precisa ultrapassar a simples transmissão de informações.
É justamente essa relação entre:
objetivos + conteúdos + métodos + estudantes + contexto
que está no centro da Didática do Ensino Superior.
Ao longo deste guia, você entenderá como história da didática, teorias da aprendizagem, planejamento, interdisciplinaridade, inclusão, andragogia, identidade docente e estratégias de ensino podem se conectar na construção de experiências formativas mais coerentes.
O que é Didática do Ensino Superior?
Didática é o campo relacionado aos fundamentos, condições, formas e estratégias do processo de ensino.
No Ensino Superior, ela precisa considerar características próprias do contexto universitário.
Entre elas estão:
- Formação profissional;
- Produção de conhecimento;
- Pesquisa;
- Extensão;
- Autonomia dos estudantes;
- Diversidade de trajetórias.
Isso significa que ensinar adultos em uma graduação ou pós-graduação não é simplesmente reproduzir as mesmas estratégias utilizadas em outros níveis de ensino.
O professor universitário precisa relacionar:
Conhecimento da área + conhecimento pedagógico.
O material-base destaca a articulação entre objetivos, conteúdos, métodos e recursos como parte fundamental desse trabalho.
Uma pergunta didática importante é:
O que o estudante precisa conseguir compreender ou fazer ao final desta experiência?
A resposta orienta as decisões seguintes.
História da didática e transformação das práticas de ensino
Compreender a história da didática ajuda a perceber que as formas de ensinar não são imutáveis.
Elas acompanham transformações:
- Sociais;
- Culturais;
- Tecnológicas;
- Educacionais.
O material-base apresenta a história da didática como uma forma de compreender rupturas e permanências nos modelos de ensino e menciona Comenius entre as referências históricas utilizadas para refletir sobre a organização da educação.
Durante muito tempo, diferentes contextos educacionais foram fortemente associados a modelos centrados no professor.
Nesse formato, a aula pode assumir uma lógica principalmente transmissiva:
Professor explica → estudante recebe → estudante reproduz.
Essa estrutura ainda pode ter utilidade em determinadas situações.
Uma exposição bem organizada, por exemplo, pode ser adequada para:
- Introduzir um conceito;
- Contextualizar determinado tema;
- Sistematizar informações.
O problema aparece quando toda a aprendizagem é reduzida a esse formato.
Dependendo dos objetivos, o estudante também precisa:
- Investigar;
- Debater;
- Relacionar;
- Produzir;
- Aplicar.
A didática contemporânea amplia justamente o repertório de possibilidades.
Professor, estudante e currículo: uma relação integrada
O material-base apresenta a tríade professor-aluno-currículo como uma referência importante para refletir sobre os papéis presentes na formação universitária.
Esses três elementos estão interligados.
Professor
Planeja, orienta e medeia experiências.
Estudante
Participa da construção da aprendizagem e traz:
- Conhecimentos prévios;
- Experiências;
- Expectativas.
Currículo
Organiza conhecimentos e objetivos formativos dentro de determinado percurso.
Um problema pode surgir quando uma dessas dimensões é ignorada.
Por exemplo:
O currículo exige determinada competência.
O professor possui conhecimento sobre o tema.
Mas a estratégia utilizada não permite que o estudante pratique essa competência.
Existe um desalinhamento.
Por isso, a Didática do Ensino Superior procura aproximar:
Aquilo que se pretende ensinar
de
Aquilo que o estudante precisa aprender e desenvolver.
Teorias da aprendizagem e escolhas pedagógicas
Conhecer teorias da aprendizagem amplia a capacidade de selecionar estratégias de ensino.
O material-base destaca justamente que esse conhecimento pode ajudar o docente a estruturar conteúdos e organizar experiências capazes de favorecer a construção do conhecimento.
As teorias não precisam ser tratadas como receitas.
Elas ajudam a compreender diferentes dimensões do processo de aprendizagem.
Imagine dois objetivos.
Objetivo A
Memorizar uma terminologia específica.
Objetivo B
Analisar criticamente um problema complexo.
Os dois podem exigir abordagens diferentes.
Para o primeiro, atividades de:
- Recuperação;
- Associação;
- Revisão;
podem ser adequadas.
Para o segundo, podem fazer mais sentido:
- Estudos de caso;
- Debates;
- Projetos;
- Análise de situações.
A escolha metodológica precisa acompanhar o objetivo.
Por isso, uma das perguntas centrais da didática é:
Qual estratégia é coerente com aquilo que queremos desenvolver?
Seleção e organização dos conteúdos
Um professor pode conhecer muito mais sobre determinado assunto do que consegue ensinar em uma única disciplina.
Por isso, selecionar conteúdos é uma decisão pedagógica.
Não significa empobrecer o conhecimento.
Significa definir prioridades.
O material-base destaca critérios como:
- Pré-requisitos;
- Complexidade;
- Experiências dos estudantes.
Imagine uma disciplina avançada.
Antes de discutir determinado conceito, os estudantes precisam dominar três fundamentos.
Caso esses conhecimentos prévios não estejam presentes, o conteúdo avançado pode se tornar difícil de acompanhar.
Uma sequência coerente pode funcionar assim:
Fundamento → aprofundamento → aplicação → integração.
Esse percurso ajuda a construir progressão.
A organização também pode considerar relações entre diferentes disciplinas.
É nesse ponto que aparecem discussões sobre:
- Disciplinaridade;
- Interdisciplinaridade;
- Transdisciplinaridade.
Interdisciplinaridade e construção de sentido
A realidade profissional raramente se organiza em disciplinas isoladas.
Um problema pode exigir conhecimentos de:
- Economia;
- Tecnologia;
- Ética;
- Comunicação;
- Gestão.
Por isso, abordagens interdisciplinares podem ajudar estudantes a perceber relações entre diferentes áreas.
Imagine um curso de Administração trabalhando sustentabilidade.
O tema pode envolver simultaneamente:
- Finanças;
- Estratégia;
- Legislação;
- Comportamento organizacional.
Uma abordagem interdisciplinar pode conectar essas dimensões em torno de um mesmo problema.
Mas interdisciplinaridade não significa simplesmente juntar vários assuntos.
É necessário existir uma relação real.
A pergunta deve ser:
Que perspectivas diferentes ajudam a compreender melhor este objeto?
Quando essa relação existe, o estudante consegue observar o conhecimento de forma menos fragmentada.
Planejamento no Ensino Superior
Planejamento é uma das bases do trabalho docente.
O material-base destaca a necessidade de alinhar:
- Objetivos;
- Conteúdos;
- Recursos;
- Ações.
Isso ajuda a evitar uma prática comum:
Começar escolhendo a atividade antes de definir aquilo que se pretende ensinar.
Por exemplo:
“Vou fazer um seminário.”
Ainda falta uma pergunta:
Para quê?
O seminário pode desenvolver:
- Comunicação oral;
- Síntese;
- Pesquisa;
- Argumentação.
Mas sua adequação depende do objetivo.
Um planejamento pode começar assim:
- Definir o que o estudante precisa aprender;
- Selecionar conteúdos;
- Escolher estratégias;
- Definir recursos;
- Organizar o percurso.
Essa ordem transforma metodologia em meio.
Não em fim.
Objetivos de aprendizagem: orientar todo o percurso
Objetivos ajudam a tornar a aprendizagem mais intencional.
Compare:
“Ensinar gestão de projetos.”
com:
“Analisar riscos de um projeto e propor ações de mitigação.”
A segunda formulação indica mais claramente:
- A competência esperada;
- O tipo de atividade necessária.
Se o objetivo envolve análise, apenas memorizar definições pode ser insuficiente.
Talvez o estudante precise trabalhar com:
- Cenários;
- Casos;
- Problemas.
Por isso, objetivos bem formulados ajudam a conectar:
Conteúdo → metodologia → atividade.
Também oferecem mais clareza ao próprio estudante.
Quando ele compreende aquilo que precisa desenvolver, consegue acompanhar melhor seu progresso.
Técnicas de ensino e diversidade metodológica
O material-base destaca diferentes possibilidades de ensino, incluindo:
- Exposição;
- Debates;
- Projetos;
- Estratégias voltadas ao desenvolvimento de habilidades.
Nenhuma técnica é automaticamente superior.
Uma aula expositiva pode funcionar muito bem quando:
- Organiza um tema;
- Apresenta fundamentos.
Um debate pode ser mais adequado para trabalhar:
- Argumentação;
- Perspectivas diferentes.
Um projeto pode favorecer:
- Integração;
- Aplicação;
- Colaboração.
O problema surge quando uma estratégia é escolhida apenas porque está na moda.
A técnica deve responder à intenção pedagógica.
Por isso, em vez de perguntar:
“Qual metodologia é mais inovadora?”
é mais útil perguntar:
“Qual metodologia oferece melhores condições para este objetivo, neste contexto e com estes estudantes?”
Ensino ativo e protagonismo estudantil
Estratégias mais ativas procuram aumentar a participação do estudante na aprendizagem.
Isso pode acontecer por meio de:
- Resolução de problemas;
- Projetos;
- Discussões;
- Produção de materiais;
- Análise de situações.
O protagonismo não significa ausência do professor.
O docente continua exercendo funções importantes de:
- Planejamento;
- Orientação;
- Mediação;
- Contextualização.
Imagine um estudo de caso.
Os estudantes recebem uma situação realista.
Precisam:
- Identificar o problema;
- Analisar informações;
- Formular uma solução.
O professor não desaparece.
Ele estrutura o caso, acompanha a discussão e ajuda a aprofundar conceitos.
Essa mudança pode ser resumida assim:
Menos centralidade na exposição
e
mais centralidade na aprendizagem.
Ensino, pesquisa e extensão na formação universitária
Uma característica importante do Ensino Superior é que a formação não precisa ficar restrita à sala de aula.
O material-base destaca ensino, pesquisa e extensão como dimensões relevantes do processo educativo universitário.
A pesquisa pode aproximar estudantes da:
- Investigação;
- Produção de conhecimento;
- Análise crítica.
A extensão pode aproximar universidade e sociedade.
Isso permite construir experiências em que o estudante não apenas estuda determinado tema, mas também observa como ele se manifesta em contextos concretos.
Um projeto pode, por exemplo, conectar:
Conteúdo acadêmico + problema social + intervenção.
Essa integração pode ampliar o sentido da formação.
Andragogia e aprendizagem de estudantes adultos
O Ensino Superior atende predominantemente estudantes adultos ou em transição para a vida adulta.
O material-base apresenta a andragogia como uma referência importante para compreender esse público.
Adultos chegam ao processo educacional com:
- Experiências anteriores;
- Conhecimentos;
- Responsabilidades;
- Objetivos profissionais.
Isso influencia a aprendizagem.
Imagine uma turma com estudantes que já atuam profissionalmente.
Eles podem relacionar conceitos diretamente a situações de trabalho.
Essa experiência pode ser utilizada pedagogicamente.
Por exemplo:
O professor apresenta um conceito.
Depois pergunta:
“Onde vocês já observaram algo parecido?”
A experiência deixa de ser apenas conhecimento anterior.
Torna-se parte do processo de aprendizagem.
Isso não significa que todos os adultos aprendem da mesma maneira.
O grupo continua sendo diverso.
Mas reconhecer trajetórias anteriores ajuda a construir um ensino mais contextualizado.
Inclusão e acessibilidade no Ensino Superior
A inclusão exige planejamento.
O material-base destaca que acessibilidade no contexto universitário envolve diferentes dimensões, incluindo:
- Ambientes físicos;
- Recursos digitais;
- Práticas pedagógicas.
Isso amplia a discussão.
Acessibilidade não se resume ao acesso físico ao prédio.
Um estudante também pode encontrar barreiras em:
- Materiais;
- Plataformas;
- Metodologias;
- Formas de participação.
Por isso, práticas inclusivas podem exigir diferentes estratégias conforme as necessidades dos estudantes e as políticas institucionais.
O objetivo é ampliar condições de participação.
Isso também implica evitar a ideia de que existe um único perfil de aluno para o qual todo o ensino deve ser planejado.
Turmas podem reunir diferenças de:
- Repertório;
- Experiência;
- Condições;
- Formas de interação.
A didática precisa considerar essa diversidade.
Tecnologia e novas possibilidades pedagógicas
O material-base destaca que transformações tecnológicas ampliaram possibilidades relacionadas a:
- Ensino híbrido;
- Recursos multimodais.
Hoje, uma disciplina pode combinar:
- Texto;
- Vídeo;
- Podcast;
- Plataforma digital;
- Encontros presenciais ou síncronos.
Mas utilizar mais tecnologia não significa automaticamente ensinar melhor.
A escolha precisa continuar sendo pedagógica.
Imagine que o objetivo seja analisar um conceito complexo.
Talvez um texto detalhado seja mais apropriado do que um vídeo curto.
Agora imagine que o objetivo seja demonstrar um procedimento.
Nesse caso, um recurso audiovisual pode ser mais útil.
A pergunta deve ser:
Que recurso ajuda melhor o estudante a atingir este objetivo?
A tecnologia amplia repertório.
Não substitui planejamento.
Identidade docente e formação pedagógica
Ser especialista em determinada área não significa automaticamente estar preparado para ensiná-la.
O material-base destaca justamente a identidade docente e a necessidade de refletir sobre a formação pedagógica no Ensino Superior.
Um profissional pode ter:
- Experiência;
- Domínio técnico;
- Produção científica.
Mas ainda precisar desenvolver competências relacionadas a:
- Planejamento;
- Mediação;
- Organização didática;
- Estratégias de aprendizagem.
A identidade docente também se constrói ao longo da prática.
O professor observa:
- O que funcionou;
- Onde os estudantes encontraram dificuldades;
- O que poderia ser alterado.
Essa reflexão transforma experiência em aprendizado profissional.
Ensinar também é aprender sobre o próprio ensino.
Registro reflexivo e melhoria contínua da prática
O material-base recomenda manter registros sobre as experiências de sala de aula como forma de alimentar a construção da identidade docente.
Um registro pode responder:
- O que planejei?
- O que aconteceu?
- Onde surgiram dificuldades?
- O que funcionou?
- O que mudarei na próxima turma?
Imagine uma atividade que deveria levar vinte minutos.
Na prática, ocupa uma hora.
Essa informação é relevante.
Talvez:
- A atividade estivesse complexa demais;
- As instruções não fossem claras;
- O conteúdo anterior não tivesse preparado suficientemente a turma.
Sem registro, essa percepção pode se perder.
Com reflexão sistemática, o professor consegue melhorar suas decisões futuras.
Como transformar uma disciplina em uma experiência de aprendizagem coerente?
Imagine que um professor receba uma disciplina sobre Gestão de Pessoas.
A ementa possui muitos conteúdos.
Ele poderia simplesmente dividir os temas pelo número de aulas.
Mas decide começar pelos objetivos.
Ao final, os estudantes precisam conseguir:
- Analisar situações organizacionais;
- Relacionar conceitos;
- Propor soluções.
Agora a estrutura muda.
Primeiro bloco
Fundamentos conceituais.
Segundo bloco
Análise de situações.
Terceiro bloco
Aplicação.
Os conteúdos são selecionados de acordo com essa progressão.
Depois, entram as estratégias.
Alguns conceitos precisam de explicação sistematizada.
São trabalhados em aulas expositivas.
Outros exigem discussão.
Entram:
- Casos;
- Debates.
Depois, os estudantes recebem um projeto.
Precisam analisar uma situação organizacional.
Agora teoria e prática se conectam.
Durante a disciplina, o professor percebe que parte da turma possui experiência profissional.
Esses estudantes são convidados a relacionar conceitos a situações que já vivenciaram.
Outros possuem pouca experiência.
Casos estruturados ajudam a equilibrar o processo.
Os materiais também são revisados para facilitar:
- Navegação;
- Acesso;
- Participação.
Ao final, a disciplina não é apenas uma sequência de assuntos.
Ela possui uma lógica:
Objetivos → conteúdos → experiências → aplicação.
Esse é um dos principais papéis da didática.
Como desenvolver práticas mais inclusivas na universidade?
Inclusão não precisa ser tratada apenas como uma ação posterior.
Pode começar ainda no planejamento.
Por exemplo:
Ao preparar materiais, o docente pode observar:
- Organização;
- Clareza;
- Formato.
Ao estruturar atividades, pode verificar se existem barreiras desnecessárias à participação.
Também é importante conhecer os recursos e políticas oferecidos pela própria instituição.
Imagine um estudante enfrentando dificuldade de acesso a determinado conteúdo digital.
O problema pode estar:
- No formato;
- Na plataforma;
- Na forma como o material foi estruturado.
A inclusão exige investigar a barreira antes de decidir a solução.
A pergunta é:
O que está dificultando a participação?
A partir disso, adaptações podem ser planejadas de forma mais adequada.
Como conectar teoria e prática no Ensino Superior?
Essa é uma das questões recorrentes da docência universitária.
Uma estratégia é trabalhar com problemas contextualizados.
Imagine uma disciplina de Direito.
Depois de estudar determinado conceito, os estudantes analisam uma situação.
Em Engenharia, podem trabalhar com:
- Projetos;
- Problemas técnicos.
Em Administração:
- Casos organizacionais.
Em Educação:
- Situações pedagógicas.
O importante não é apenas acrescentar um exercício ao final.
É construir uma relação entre:
Conhecimento → situação → decisão.
Essa conexão ajuda o estudante a compreender por que determinado conteúdo é relevante.
Também favorece a integração entre formação acadêmica e atuação profissional.
Tendências pedagógicas e pensamento crítico
O material-base destaca a convivência entre modelos tradicionais e abordagens mais críticas, além da necessidade de equilibrar formação profissional e formação cidadã.
Isso ajuda a compreender que didática não é apenas uma coleção de técnicas.
Toda prática pedagógica expressa determinadas escolhas.
Por exemplo:
O estudante pode ser tratado predominantemente como:
- Receptor;
ou como:
- Participante ativo.
O professor pode trabalhar conteúdos como informações isoladas ou discutir também:
- Contextos;
- Consequências;
- Relações sociais.
No Ensino Superior, essa discussão se torna especialmente importante porque a universidade participa da formação de profissionais que atuarão em diferentes dimensões da sociedade.
Por isso, conhecimento técnico e pensamento crítico não precisam ser tratados como objetivos incompatíveis.
Como organizar os estudos em Didática do Ensino Superior?
Uma sequência coerente pode começar pela compreensão dos fundamentos e avançar para o planejamento da prática.
1. História e teorias da didática
Compreenda como diferentes concepções de ensino foram construídas.
2. Processo ensino-aprendizagem
Estude a relação entre:
- Professor;
- Estudante;
- Conteúdo.
3. Teorias da aprendizagem
Amplie o repertório para compreender diferentes estratégias pedagógicas.
4. Currículo e seleção de conteúdos
Aprenda a organizar conhecimentos de forma progressiva.
5. Planejamento
Relacione:
- Objetivos;
- Conteúdos;
- Métodos;
- Recursos.
6. Técnicas de ensino
Explore:
- Exposição;
- Debate;
- Projetos;
- Problemas.
7. Andragogia
Compreenda características dos estudantes adultos.
8. Interdisciplinaridade
Construa relações entre diferentes áreas do conhecimento.
9. Inclusão e acessibilidade
Considere diferentes necessidades desde o planejamento.
10. Identidade e reflexão docente
Analise sua própria prática e transforme experiência em desenvolvimento profissional.
Essa progressão ajuda a compreender a didática como um sistema.
Não apenas como um catálogo de metodologias.
Perguntas frequentes sobre Didática do Ensino Superior
O que é Didática do Ensino Superior?
É o campo que estuda e orienta práticas, métodos, planejamento e relações de ensino-aprendizagem no contexto universitário.
Dominar o conteúdo é suficiente para ensinar no Ensino Superior?
Não. O domínio técnico é importante, mas o professor também precisa compreender planejamento, estratégias de ensino, organização de conteúdos e características dos estudantes.
O que é processo ensino-aprendizagem?
É a relação entre as ações de ensino e as condições construídas para que o estudante desenvolva aprendizagem.
O que é andragogia?
É uma referência utilizada para discutir processos de aprendizagem de adultos e suas características.
Por que o planejamento é importante?
Porque ajuda a alinhar objetivos, conteúdos, métodos, recursos e atividades.
O que é interdisciplinaridade?
É a construção de relações entre diferentes campos do conhecimento para ampliar a compreensão de determinado objeto ou problema.
Aula expositiva ainda pode ser utilizada?
Sim. Ela pode ser adequada a determinados objetivos, especialmente quando combinada de forma consciente com outras estratégias.
O que são metodologias ativas?
São abordagens que ampliam a participação do estudante em atividades como resolução de problemas, projetos, discussões e outras experiências de aprendizagem.
Como a inclusão se relaciona à didática?
A inclusão exige reduzir barreiras e planejar práticas, materiais e recursos que ampliem as condições de participação dos estudantes.
Tecnologia melhora automaticamente a aprendizagem?
Não. Recursos tecnológicos precisam ser escolhidos de acordo com objetivos, público e contexto pedagógico.
Qual é a importância da identidade docente?
Ela está relacionada à maneira como o professor compreende seu papel, desenvolve sua prática e constrói suas competências pedagógicas.
Qual é a relação entre ensino, pesquisa e extensão?
São dimensões da formação universitária que podem aproximar aprendizagem, produção de conhecimento e interação com diferentes contextos sociais.
Da expertise profissional à prática docente
Imagine um profissional com vinte anos de experiência em sua área.
Ele conhece:
- Conceitos;
- Processos;
- Problemas reais.
Agora recebe sua primeira turma universitária.
Na primeira aula, decide explicar tudo aquilo que considera mais importante.
Depois de duas horas, percebe que os estudantes estão perdidos.
O problema não está necessariamente em seu conhecimento.
Está na transformação desse conhecimento em experiência de aprendizagem.
O professor começa a reorganizar sua prática.
Primeiro, pergunta:
O que os estudantes realmente precisam aprender nesta disciplina?
Depois:
Que conhecimentos precisam dominar primeiro?
O conteúdo é reorganizado.
Fundamentos aparecem antes dos temas mais complexos.
Agora ele pensa nas estratégias.
Alguns assuntos exigem exposição.
Outros fazem mais sentido em:
- Debate;
- Exercícios;
- Casos.
Depois, começa a observar a turma.
Alguns estudantes já trabalham na área.
Outros nunca tiveram contato profissional.
As experiências são diferentes.
O professor utiliza exemplos que permitem aproximar esses diferentes repertórios.
Também percebe que parte do material digital é difícil de navegar.
Reorganiza.
Durante um projeto, os estudantes precisam aplicar conceitos a um problema concreto.
A teoria começa a ganhar significado.
O professor também aprende.
Percebe que uma explicação que parecia muito clara para ele não era clara para a turma.
Reformula.
Na próxima oferta da disciplina, muda a sequência.
Esse movimento demonstra algo essencial:
Didática não é apenas aquilo que acontece durante a aula.
Ela começa antes, no planejamento.
Continua durante, na mediação.
E prossegue depois, na reflexão.
O professor observa.
Os estudantes respondem.
A experiência fornece informações.
A prática muda.
Esse ciclo pode ser resumido como:
Planejar → ensinar → observar → refletir → ajustar.
A formação docente se desenvolve nesse processo.
A didática oferece fundamentos para que as escolhas sejam menos improvisadas e mais intencionais.
Objetivos ajudam a definir direção.
Conteúdos constroem a base.
Estratégias criam condições de aprendizagem.
Tecnologia amplia possibilidades.
Inclusão reduz barreiras.
Pesquisa e extensão ampliam o espaço formativo.
Andragogia ajuda a compreender estudantes adultos.
Reflexão transforma experiência em aprendizado docente.
Quando essas dimensões trabalham juntas, o Ensino Superior deixa de ser apenas um espaço de transmissão de conhecimento.
Passa a ser um ambiente de:
- Construção;
- Investigação;
- Aplicação;
- Formação crítica.
Para docentes, profissionais da Educação e pessoas que desejam atuar na formação universitária, aprofundar conhecimentos em Didática do Ensino Superior pode ampliar a capacidade de planejar experiências mais coerentes, compreender diferentes perfis de estudantes e articular conteúdo, metodologia e contexto de forma mais intencional.
Conheça a ementa.
